Protesto em movimento une vários locais de concentração de manifestantes

Protesto em movimento une vários locais de concentração de manifestantes

 

Lusa/AO online   Internacional   30 de Set de 2014, 11:06

Os protestos em Hong Kong prolongaram-se noite dentro, com manifestantes a circularem pacífica e ininterruptamente entre vários pontos do centro comercial e financeiro da cidade, e a regressarem sempre à casa de partida: a sede do governo.

 

E, em novo dia de protestos, escolas na Ilha de Hong Kong voltam hoje a estar encerradas nas zonas de Central, Wan Chai e Western.

Depois de uma aparente diminuição da moldura humana registada pelas 22:00 de segunda-feira (15:00 em Lisboa), os manifestantes voltaram a ganhar peso em Admiralty, junto à sede do governo pela meia-noite e meia (16:30 de segunda-feira em Lisboa), entoando cânticos e palavras de ordem a pedir a demissão do chefe do Executivo da região, CY Leung.

No recinto, mensagens como ‘Não nos ouves a cantar?’ (tradução livre de ‘Can’t you hear us sing?’) escritas em tarjas penduradas das pontes pedonais - até há dias usadas como acesso ao complexo governamental - emolduravam um ‘sit-in’ pacífico.

Grupos de manifestantes, na sua maioria jovens, tentavam dormir ou descansar no chão, enquanto outros usavam 'smartphones' e 'gadgets' , escutavam intervenções nos altifalantes, ou conviviam jogando às cartas.

Os que permaneciam em Admiralty foram ainda brindados, em vários momentos da noite, por um cortejo de motociclistas. “Eles começaram a fazer isto ontem [domingo]: passaram aqui e com música para nós”, explicou um jovem.

Entretanto, parte dos manifestantes fazia o 'corredor' em ambas as direções para as zonas de Central e Wan Chai.

Noutra parte da cidade, na ilha de Kowloon, os protestos “engrossaram” durante a noite em Mong Kok, sobretudo num cruzamento entre duas grandes vias (Nathan Road e Argyle Street), segundo a Rádio e Televisão de Hong Kong (RTHK).

Também aí os protestos continuaram a ser descritos como pacíficos pela imprensa local, à exceção de um incidente reportado pela RTHK, em Mong Kok, na ilha de Kowloon, quando antes das 02:00 (19:00 de segunda-feira em Lisboa) um carro avançou a alta velocidade sobre a multidão aí concentrada.

Segundo a RTHK, ninguém ficou alegadamente ferido no incidente que envolveu um carro de alta cilindrada e a polícia acabaria por deter um indivíduo de 59 anos inicialmente perseguido por populares.

Enquanto manifestantes entoavam, ao longo da noite, palavras de ordem para a demissão do chefe do Executivo de Hong Kong, Pequim reafirmou, em contrapartida, o seu apoio líder CY Leung.

Horas antes, Carrie Lam, secretária chefe de Hong Kong, ‘número dois’ na hierarquia do Executivo da antiga colónia britânica, considerou ser irrealista esperar que Pequim reverta a sua decisão sobre a reforma política no território.

Carrie Lam desmentiu ainda rumores de que estaria prestes a renunciar ao cargo devido à recente onda de manifestações, especialmente intensa no passado fim-de-semana, contra a recusa de Pequim em garantir democracia plena a Hong Kong.

A China tinha prometido à população de Hong Kong, cujo chefe do Governo é escolhido por um colégio eleitoral composto atualmente por cerca de 1.200 pessoas, que seria capaz de escolher o seu líder em 2017.

Mas, a 31 de agosto, Pequim anunciou que os aspirantes ao cargo de chefe do Governo vão precisar de reunir o apoio de mais de metade dos membros de um comité de nomeação para concorrer à próxima eleição, em 2017, e que só dois ou três candidatos serão selecionados

A população de Hong Kong exercerá o seu direito de voto mas só depois daquilo que os democratas designam de ‘triagem’.



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