Projeto português vai permitir que livros comprados e lidos tornem a ser vendidos

Projeto português vai permitir que livros comprados e lidos tornem a ser vendidos

 

Ao/Lusa   Nacional   12 de Jul de 2014, 08:55

Uma loja de livros usados mas recentes, a preços acessíveis, era o sonho para a reforma de Ana Amélia. Até ao final do ano, vai tornar-se realidade através da internet, num sistema de créditos para trocar obras.

 

Aos muitos livros em casa e à inspiração noutros locais, como a Escócia, Ana Amélia somou a “paixão” e a “perdição” pelos livros e a certeza de que uma “lojinha em Torres Vedras”, onde mora, ou mesmo em Lisboa não seria “viável em termos económicos”.

Um conselho de um amigo para avançar pela internet foi bem acolhido, mas ainda faltava tempo por causa do trabalho executivo numa grande empresa. A saída dessa carreira fez concretizar a “2.ª Leitura”, que aplica o conceito de livros com recompra.

O projeto iniciou-se com a aquisição de livros, o que se tornou relativamente fácil “numa altura de crise”.

“As pessoas precisam de dinheiro”, resume à agência Lusa Ana Amélia, que recorreu, por exemplo, aos anúncios de vendas de particulares.

O preço combinado pela quantidade de livros torna os valores mais atrativos para que depois fiquem também acessíveis a quem quer ler e cada vez se queixa mais das dificuldades em comprar, como nota Ana Amélia.

Nesta “2.ª Leitura”, o cliente poderá encomendar um livro, tê-lo durante 15 dias e devolvê-lo depois mediante um valor predeterminado, que funcionará como crédito para ser deduzido em encomendas futuras. Caso o leitor queira ficar com o livro, não há acerto.

As recompras devem estar operacionais até ao final do ano, uma vez que Ana Amélia tem inserido livros na base de dados, o que inclui fotografar as capas, até para mostrar o estado de conservação dos livros.

“A aposta vai ser nos livros mais recentes e facilitar o acesso a preços mais acessíveis”, explica Ana Amélia, lembrando ser “raro ler o mesmo livro duas vezes”, pelo que este site também é útil para quem quer libertar espaço nas prateleiras.

“A plataforma também pode proporcionar a venda a terceiros, um espaço de partilha, com muito cuidado na inserção dos livros, num processo completamente transparente”, garante à Lusa.

Acerca dos atuais sistemas de trocas de livros, Ana Amélia recorda que podem ter “muitas limitações”, ao, por exemplo, haver apenas escolha entre os livros de uma só pessoa.

Por isso, Ana quer a sua base de livros com a maior escolha possível, incluindo em línguas estrangeiras.

Em termos comerciais, este projeto “não tem retorno” face ao trabalho de manutenção e administração: “A margem praticamente nem cobre isso, mas há o sonho, a partilha e a paixão pelos livros”, explica.

 


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