Proibir venda de cigarros eletrónicos a menores é importantíssimo


 

Lusa/AO Online   Nacional   26 de Ago de 2014, 12:56

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) considera "importantíssima" a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a proibição da venda de cigarros eletrónicos a menores, num momento em que Portugal tem ainda esta matéria por legislar.

 

“O cigarro eletrónico foi algo que surgiu num vazio de legislação”, disse à agência Lusa Ana Figueiredo, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SPP.

A OMS recomendou hoje a proibição da venda de cigarros eletrónicos a menores de idade, por considerar que o consumo acarreta “graves ameaças” para adolescentes e fetos.

Ana Figueiredo sustentou que os cigarros eletrónicos contêm nicotina, podendo por isso provocar dependência e o início do consumo de tabaco.

“Tem todo o sentido que seja proibida a venda a menores”, defendeu a especialista, manifestando esperança que depois do período de férias seja retomada a discussão para criar legislação em Portugal.

“É um pouco assustador, mas é possível”, comentou quando questionada sobre a venda de produtos não legislados.

“Neste momento, o problema dos cigarros eletrónicos é que não sabemos ainda os efeitos que têm ao nível da saúde. De qualquer forma, é uma substância que está a ser inalada e não é suposto inalarmos substâncias, sejam elas quais forem, ainda mais em criança”, disse.

Os peritos aconselham também que seja proibida a utilização destes cigarros em espaços públicos fechados, de acordo com um documento hoje publicado pela OMS.

A OMS alega que as provas existentes mostram que os cigarros eletrónicos “não são apenas vapor de água”, como argumentam frequentemente os fabricantes.

A especialista contactada pela Lusa afirmou que é preciso haver estudos, que só agora começam a surgir, embora se saiba já que estes cigarros não contêm apenas vapor de água.

“O grande problema hoje em dia é que não se sabe exatamente como deve classificado o cigarro eletrónico, se como algo recreativo, se como uma terapêutica para substituição só para ser utilizada pelos fumadores ou se deve ser considerado um derivado do tabaco e seguir toda a legislação de venda e publicidade dos cigarros”, acrescentou.

Em junho, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, remeteu para depois do outono a nova legislação sobre tabaco, indicando então que Portugal aguardava por novidades legislativas a nível europeu.


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