Programa de educação parental nos Açores já ajudou mais de 400 famílias

Programa de educação parental nos Açores já ajudou mais de 400 famílias

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Nov de 2015, 09:50

Sessões com jogos, peças de teatro, cinema e atividades educativas ensinam famílias beneficiárias de Rendimento Social de Inserção (RSI) e Ação Social nos Açores a melhorarem as suas aptidões parentais, um projeto que já abrangeu mais de 400 famílias.

 

“Tem mudado muita coisa. O mais velho era esquisito para comer. A pequenina não queria comer nada em casa. Fizemos o jogo [tabela de comportamentos] e colocámos autocolantes com bonecos só quando ela se portasse bem. No final prometemos uma recompensa: uma tarde com a avó ou trazer uma amiga cá para casa”, contou à Lusa Jorge Silva.

Sentado numa roda, onde estão mais de uma dezena de elementos, Jorge Silva integra um grupo de famílias dos Ginetes, Feteiras, Candelária e Mosteiros, no concelho de Ponta Delgada, em São Miguel, que participam, uma vez por semana, em sessões de educação parental.

O programa do Governo dos Açores, estruturado por temáticas, arrancou em 2011, em São Miguel, como projeto-piloto, e já se alargou à Terceira e ao Faial.

O que fazer quando o filho faz uma birra? Ou se ele insistir em comer um doce antes do jantar? Estas são situações que parecem simples, mas são por vezes difíceis de gerir.

“Os pais nem sempre sabem como reagir a uma birra e uma birra pode levar um pai ou uma mãe a ter um comportamento agressivo. O que pretendemos é dar a estes pais as tais estratégias educativas positivas”, disse à Lusa Anabela Cunha, coordenadora regional da Intervenção em Educação Parental, frisando que o programa pretende "ajudar os pais com dificuldades no seu papel parental" recorrendo a várias atividades educativas.

De olhar fixo na pirâmide parental projetada na parede, em que cada semana “é um treino de competências”, Jéssica Sá assegura que "antes falava de outra maneira com a filha".

“Não era uma pessoa muito paciente. Já há mais coisas que consigo quebrar”, relatou, enquanto uma colega assume que “antigamente dava uma recompensa” à filha ainda antes de ela cumprir o que tinha para fazer.

A ideia é ter pais com "autoridade, que oiçam a criança, mas que sejam capazes de dar ordens claras", referiu Anabela Cunha, também assistente social do Instituto de Segurança Social dos Açores, alertando que "muitas vezes os pais não realçam na criança o comportamento positivo e focam-se no comportamento negativo".

Distribuídas por dois grupos, as famílias tentam identificar comportamentos que devem ser ignorados.

“Gritos, brigas e amuos”, rematou Jorge Silva, enquanto no painel são identificados os comportamentos que um pai ou uma mãe não podem ignorar: "estragos materiais ou situações de risco para a integridade física da criança".

Na Junta de Candelária, uma das salas transformou-se também num pequeno palco onde uma mãe não cede às várias investidas da filha para comer doces antes do jantar.

Carolina Lúcio referiu, com orgulho, que tem como colega de formação a mãe e disse que já ensinou estratégias a “todos os elementos familiares”.

No âmbito deste projeto existem dois programas - o "Mais Família, Mais Criança", para pais e cuidadores e crianças dos dois aos oito anos, e o "Em busca do Tesouro", para pais e crianças dos seis aos 13 anos e que assume também uma vertente de prevenção de consumos (álcool, droga e tabaco).

Ricardina Raposo, dinamizadora do programa “Mais família, Mais criança” e psicóloga, explicou que os resultados têm sido "muito gratificantes" e que os progenitores "treinam as competências assimiladas" e levam atividades e jogos para fazerem em casa, implicando os filhos de forma indireta no programa.

"Qualquer pai tem dificuldades, uns de uma maneira, outros de outra. E sabemos também que alguns dos pais, infelizmente devido às suas histórias marcantes ou por terem sido vítimas de maus tratos ou por outros fatores de risco, poderão comprometer também o seu papel parental, embora nem sempre", acrescentou a assistente social Anabela Cunha, lembrando que o desemprego e as dificuldades económicas têm impactos nas dinâmicas familiares.

 

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