Profissionais do turismo emigram tal como fizeram enfermeiros

Profissionais do turismo emigram tal como fizeram enfermeiros

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   28 de Mar de 2017, 15:44

A Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT) alertou que 50% a 60% dos estudantes das escolas de turismo estão a abandonar Portugal para ir trabalhar além-fronteiras, um fenómeno que compara à recente fuga de enfermeiros.

"É um fenómeno como o dos enfermeiros que está a suceder no setor do turismo", disse hoje à Lusa o presidente da APHORT, Rodrigo Pinto Barros, reconhecendo que 50 a 60% dos formandos que terminam os cursos nas várias escolas de turismo do país estão a optar pela emigração para a Tailândia, Vietname, França, Inglaterra, Espanha ou Austrália.

Segundo a APHORT, o setor do turismo está a empregar muita gente, mas como os salários são "muito baixos" e as "progressões na carreira são muito lentas, ou mesmo impossível de chegar ao topo", o pessoal qualificado prefere emigrar.

"Há oportunidades em França, Inglaterra, Espanha, Austrália, Tailândia, Vietname, onde há pouca mão-de-obra qualificada e esses jovens têm mais oportunidade de chegar às chefias, ou a diretores gerais, ou diretores de alojamento", conta Rodrigo Pinto Barros, defendendo que para estancar o facto de o turismo português estar a perder profissionais para o estrangeiro deve haver uma "mudança nas escolas".

Segundo a APHORT, a principal razão pela qual as empresas na área turística estão a perder o pessoal mais qualificado prende-se com a falta de capacidade que essas empresas revelam para acompanhar o nível salarial praticado noutros países", mas também a "uma maior apetência das novas gerações para viajar e procurar desafios profissionais no exterior", onde lhes são oferecidas melhores condições de trabalho e "boas oportunidades de progressão na carreira".

Apesar da euforia em torno do "sucesso turístico nacional", a APHORT considera que é preciso olhar "com alguma cautela" e "sentido crítico" para a onda de otimismo" e estar "atento a este tipo de fenómenos" que parecem estar "a passar ao lado dos governantes e dos responsáveis pelo próprio setor do turismo", refere o mesmo comunicado de imprensa.

O número de turistas a visitar Portugal tem vindo a aumentar nos últimos anos. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) desde 2006 indicam que nos últimos dez anos, apenas 2009 e 2012 é que registaram quebras e que o primeiro semestre de 2016 foi um dos mais fortes, com um número total de turistas de cerca de 8,5 milhões.

Os maiores aumentos nas dormidas foram observados na região Norte, com uma subida de 15,1% em relação ao mesmo período de 2015, seguidos da Região Autónoma dos Açores (+14,1%) e no Alentejo (+14%).

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