Profissionais de saúde e escolares formados para inclusão de jovens diabéticos

Profissionais de saúde e escolares formados para inclusão de jovens diabéticos

 

Lusa/AO Online   Nacional   19 de Out de 2015, 17:24

O Centro Hospitalar de Leiria, o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral e o Instituto Politécnico de Leiria assinaram hoje um protocolo que visa a formação de profissionais de saúde e escolares na inclusão dos jovens com diabetes tipo 1.

 

O projeto "DARE+ - Diabetes: + apoio pelos Responsáveis Escolares" visa promover, no âmbito da orientação da Direção Geral da Saúde, emitida em 2012, a aproximação entre os cuidados hospitalares, os cuidados de saúde primários e a academia, contribuindo para que o aluno com diabetes tipo 1 possa progredir normalmente no ambiente escolar.

O programa vai estar disponível nos concelhos de Pombal, Leiria, Porto de Mós, Batalha e Marinha Grande.

"As crianças com diabetes tipo 1 são aquelas que têm de fazer administração diária de insulina e quando chegam às escolas os docentes têm alguma dificuldade em prestar o apoio que elas necessitam", adiantou o diretor da Pediatra do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), Bilhota Xavier.

No âmbito deste protocolo, o ACES Pinhal Litoral vai dar formação aos enfermeiros de saúde escolar dos cuidados de saúde primários, que por sua vez irão depois dar formação aos professores, assistentes operacionais, motoristas, entre outras pessoas da comunidade escolar.

Esta formação será dada em parceria com o CHL, onde são seguidas as crianças com diabetes 1, de forma que todos falem a "mesma linguagem".

No entanto, esta formação só será dada com autorização dos pais e do jovem diabético, que "tem direito à confidencialidade clínica", garantiu Bilhota Xavier, realçando que, caso o jovem não queira partilhar essa informação na escola, terá de ser encontrada uma resposta.

O presidente do Instituto Politécnico (IP) Leiria, Nuno Mangas, explicou que a instituição irá monitorizar os resultados deste projeto, admitindo que poderá introduzir esta formação nos programas curriculares das licenciaturas e mestrados de professores e de enfermagem. "É um projeto de grande relevância social e vai permitir aprendermos todos em conjunto", acrescentou.

O projeto começou de forma académica com uma tese de uma docente do IP Leiria. "Estamos agora a monitorizar os resultados para aprimorar o projeto", informou a coordenadora da Unidade de Investigação em Saúde do IP Leiria, Maria dos Anjos Dixe, revelando que o projeto "vai agora ser aplicado no terreno, devendo a formação dos profissionais iniciar-se em janeiro".

Bilhota Xavier referiu que são seguidas na consulta de diabetes entre "120 a 130 crianças insulinodependentes na área de influência do serviço de Pediatria do CHL", acrescentando que o número tem "estabilizado" nos últimos anos.

Já a responsável pela consulta da diabetes, Ester Gama, explicou que as ferramentas que se pretende dar à comunidade escolar passa, por apoiar as crianças que têm menos autonomia e compreender as necessidades dos jovens mais velhos.

"Se for uma criança que ainda não é autónoma em determinada fase do tratamento, como a avaliação da glicemia ou dos hidratos de carbono, ou administração da insulina, estes alunos precisam de um apoio mais personalizado e da vigilância de um adulto", explicou a médica, alertando para a formação para agir em caso de emergência.

"Numa hipoglicémia, que são as situações mais fáceis de acontecer - e as mais graves - eles perdem a consciência e tem de ser uma outra pessoa a atuar. Não se pode esperar pelo INEM, porque os minutos são preciosos no socorro da criança. Pede-se, por isso, que estejam aptos".

Nos insulinodependentes adolescentes, Ester Gama salientou que os docentes deverão permitir que os jovens possam "sair da aula para fazer o teste, comer um lanche, se fizerem uma hipoglicémia leve, tenham a possibilidade de avaliar as glicemias durante o exercício físico e seja possível administrar a insulina ou comer extra refeições programadas".

 


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