Produtores de atum dos Açores defendem reforço de apoios financeiros

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Pesca atum

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A Associação de Produtores de Atum dos Açores defendeu hoje o reforço e alargamento dos apoios do POSEI-Pescas a outras espécies, visando atenuar as quebras de 50% verificadas na safra nos últimos três anos.
 

 

“Há três anos que a safra do atum tem vindo a sofrer quebras sucessivas, na ordem dos 50%, o que se traduz num decréscimo muito grande dos rendimentos. Pode falar-se mesmo num cenário de quase catástrofe”, declarou à agência Lusa o secretário-geral da Associação de Produtores e Similares do Atum (APASA), Pedro Capela.

O POSEI–Pescas é um plano de compensação dos custos suplementares para os produtos do setor e está integrado no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP) da União Europeia.

Os Açores vão receber no âmbito do POSEI-Pescas, no quadro comunitário 2014-2020, 30,6 milhões de euros, ou seja, cerca de 4,4 milhões por ano, sendo que, neste momento, o apoio ao atum fresco à produção é de 56 cêntimos por quilo, até ao máximo de 400 toneladas.

No caso específico da indústria, o apoio do POSEI-Pescas é de 19 cêntimos o quilo.

O dirigente declarou que os produtores da APASA estavam a contar com a elegibilidade de algumas espécies do atum fresco para beneficiarem de apoios ao abrigo do POSEI-Pescas, o que não se concretizou, estando apenas o patudo a ser contemplado com apoios, até às 400 toneladas.

“Estamos preocupados. Já o dissemos ao Governo Regional e vamos continuar a ver se conseguimos alterar esta situação, à semelhança da Madeira, que consegue a elegibilidade da maioria dos atuns para apoios ao pescado fresco”, referiu o responsável.

Além do patudo, a APASA gostaria que o POSEI-Pescas contemplasse apoios ao atum bonito e voador frescos, dado o seu maior valor comercial.

Pedro Capela afirmou que as capturas de patudo de 2016 atingiram apenas 300 toneladas, o que representa 0,7% da quota estipulada, ou seja, o valor que um atuneiro pesca num ano médio.

O dirigente da APASA salientou que, neste momento, existem armadores da pesca do atum que “não sabem como é que vão conseguir fazer face às despesas” para ter a sua embarcação operacional para a safra de 2017.

Pedro Capela referiu que um barco da frota atuneira emprega entre 17 a 19 tripulantes, havendo embarcações que consomem combustível na ordem das 120 toneladas anuais, a par das despesas com a Segurança Social e Finanças.

Atualmente existem nos Açores cerca de 35 embarcações que se dedicam em exclusivo à safra do atum, num total de cerca de 70 tripulantes, havendo uma indústria associada à sua transformação em várias ilhas dos Açores, que gera centenas de postos de trabalho.

A Lusa tentou obter uma reação da secretaria regional do Mar, Ciência e Tecnologia, mas não obteve resposta.