Produtor português de queijos duplica exportações e aposta na China e nos EUA

Produtor português de queijos duplica exportações e aposta na China e nos EUA

 

Lusa/AO Online   Economia   1 de Mar de 2015, 09:43

A empresa Queijo Saloio, terceiro maior produtor português de queijos, duplicou as exportações em 2014, invertendo a tendência de quebra de vendas dos últimos cinco anos, e vai apostar nos Estados Unidos e na China, disse um dos administradores.

O administrador executivo Rui Marciano afirmou à agência Lusa que a empresa, com sede em Torres Vedras, reduziu sucessivamente as vendas nos últimos cinco anos devido à "crise e à retração do consumo", mas em 2014 a tendência foi invertida.

"Conseguimos crescer mais de 80% nas exportações e, com isso, houve uma alteração do destino das nossas vendas, que antes eram mais direcionadas para a grande distribuição a nível nacional", explicou o administrador da empresa, com fábricas em Abrantes e Torres Vedras.

Para contornar a crise, que obrigou a reduzir mão-de-obra, a empresa apostou nas vendas para o estrangeiro: 18% da sua produção passou a ter como destino a exportação, quando em 2010 faturava 22 milhões de euros, dos quais menos de 10% eram oriundos das exportações, ainda pouco significativas.

Segundo o administrador, 2014, ano em que se começaram a sentir alguns "sinais de retoma económica", foi o "ano de viragem", faturando 17,4 milhões de euros, contra os 17 milhões de 2013.

No último ano, conseguiu recuperar 1,7 milhões de euros perdidos nos cinco anos anteriores e fechou o ano com um crescimento de 1%.

Para os resultados contribuíram também o plano de reestruturação - reduziu 11% nos gastos com pessoal e 9% em serviços externos - e a adoção de metodologias japonesas para alcançar maior produtividade, tendo diminuído os custos de produção em 10% numa das gamas de queijos, a mais conhecida.

O lançamento de 19 novos produtos ajudou também a alavancar as vendas, permitindo um encaixe de 350 mil euros, perspetivando-se que ultrapasse um milhão de euros em 2015.

Para este ano, os objetivos passam por "consolidar os resultados positivos, crescer 10% nas vendas e duplicar o valor recuperado em 2014".

"Nas exportações, temos o objetivo de crescer 50% este ano. Estamos muito animados porque temos uma carteira de encomendas já bastante significativa", adiantou.

Para isso, vão apostar em novos mercados, nomeadamente Estados Unidos da América, para onde espera exportar no segundo semestre do ano, e para a China, para onde deverão dentro de uma semana começar a vender queijos, após um trabalho de dois a três anos para a abertura deste mercado, conquistada em 2014.

Sete dos seus produtos vão começar a ser vendidos por uma cadeira de hipermercados chineses, uma vez que aquela população está mais disponível para "novas experiências de consumo, consumindo produtos do ocidente", apesar das intolerâncias à lactose.

A empresa, com 150 trabalhadores, já exporta para a Europa, tendo como principais consumidores a Polónia, a Alemanha e a França, e para Angola, onde as vendas em 2014 cresceram 14%, representando 18% do total de exportações.

"Temos o mercado da saudade em destinos que estão consolidados, mas este ano demos o salto e começámos a chegar a novos consumidores, seguindo também os fluxos migratórios dos portugueses que estão a emigrar e que têm maior poder de compra. Isso aconteceu na Polónia, na Alemanha e em França. É um mercado com potencial de crescimento", explicou.

A empresa, com 40% de capitais do americano George Soros, é líder de mercado em queijo de cabra e é a única a comercializar queijo para barrar em Portugal.


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