Produtor de licor dos Açores cria fábrica em Cabo Verde


 

Lusa/AO online   Regional   11 de Abr de 2016, 14:52

O proprietário da fábrica que produz o licor de maracujá dos Açores vai abrir uma nova unidade em Cabo Verde, por se considerar "discriminado" na região com o imposto sobre o álcool.

 

"Nós pertencemos à União Europeia, a Martinica [território ultramarino francês] tem um apoio especial no imposto sobre o álcool para França, nós não. Só temos uma redução no imposto sobre o álcool nos produtos consumidos e produzidos na região", disse hoje o empresário à agência Lusa.

O proprietário da Fábrica de Licores Eduardo Ferreira & Filhos, Lda, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, considerou que a redução do imposto sobre o álcool e consequente escoamento do produto para o continente "não só traria mais riqueza para a região, como criaria mais postos de trabalho".

O empresário afirmou que com a criação da fábrica na ilha de Santiago, em Cabo Verde, vai ficar isento durante quatro anos de impostos e que, numa primeira fase, o investimento a realizar será de cerca de um milhão de euros, pretendendo-se produzir rum e ponche, bem como os produtos já comercializados nos Açores.

O ex-emigrante açoriano acrescentou que vai criar 15 postos de trabalho, além dos indiretos que serão gerados através da produção local de cana-de-açúcar, manga e papaia. Vai, ainda, importar dos Açores o leite para a produção de licores, bem como o maracujá.

Eduardo Ferreira quer fazer agora uma "aposta clara" no rum em Cabo Verde, produto que já foi produzido nos Açores no século XVI.

A empresa foi fundada em 1993 e emprega 21 pessoas, tendo registado o ano passado um crescimento de 30% no volume de negócios.

A 10 de dezembro de 2015, a Comissão Europeia concedeu a Portugal uma prorrogação a autorizar uma taxa reduzida do imposto especial sobre licores e aguardentes produzidos e consumidos nos Açores, até 2020. Os Açores podem, desta forma, manter um imposto cobrado sobre licores e aguardentes inferior em 75% à taxa nacional normal.

Fonte do Governo dos Açores disse, entretanto, à agência Lusa que o executivo apresentou em fevereiro de 2013 uma proposta no sentido de Portugal defender uma redução do imposto sobre o álcool junto da Comissão Europeia, criando uma quota para os Açores, mas essa proposta foi "liminarmente rejeitada" pelo então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, "prejudicando assim" os produtores da região.

O executivo regional, através da sua vice-presidência, reiterou em março, por escrito, o mesmo pedido ao atual Governo da República.


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