Privados asseguram metade das consultas do SNS


 

Lusa/AO ON line   Nacional   14 de Set de 2010, 06:33

Metade das consultas médicas em Portugal são feitas por privados, que asseguram um quarto dos internamentos, cinco por cento das urgências e dispõem de 15 por cento das camas, segundo dados da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP).

Segundo esta organização, questionada a propósito do Dia do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que se assinala na quarta feira, os privados oferecem já 40 por cento dos cuidados de saúde assegurados em Portugal.

Os maiores grupos privados de saúde em Portugal são a Espírito Santo Saúde (220 milhões de euros em 2009), HPP Saúde (150 milhões de euros) e a Mello Saúde (265 milhões de euros), que detêm 70 por cento da quota de mercado.

A Trofa Saúde e a AMI – Assistência Médica Integral lideram uma segunda linha de unidades independentes da órbita bancária.

Em conjunto, e segundo a APHP, os cinco grupos detêm 64 unidades, entre as quais hospitais, clínicas, casas de repouso e laboratórios.

As unidades de saúde privadas representam, na sua globalidade (estes cinco e os restantes), 5000 camas e 25 por cento da capacidade cirúrgica nacional.

Para a APHP, o grande impulsionador deste crescimento dos privados na saúde são os seguros de saúde: mais de 20 por cento da população portuguesa (mais de dois milhões) já tem seguro de saúde.

Dados da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) indicam que as pessoas seguras em Portugal cresceram de 1 424 690 em 2001 para 2 178 149 em 2008.

Ao longo destes anos, o setor privado mudou, passando de “um setor desfragmentado, composto essencialmente por pequenos consultórios individuais dedicados a cuidados em ambulatório” para “um mercado organizado, dominado por grupos económicos detentores de estruturas prestadoras de grande dimensão, e onde os profissionais de saúde são, maioritariamente, assalariados”.

Em 2005, a medicina dentária era a especialidade que contabilizava a maior proporção de consultas privadas (92,1 por cento), seguida da ginecologia (67,6 por cento), a oftalmologia (66,9 por cento), a cardiologia (54,2 por cento), a ortopedia (45,5 por cento), a pediatria (31,1 por cento) e a clínica geral (17,1 por cento).

Segundo o estudo “Os seguros de saúde privados no contexto do sistema de saúde português”, encomendado para a APS, entre 2007 e 2008, “o prémio médio por pessoa segura diminuiu ligeiramente (para 256 euros).

Em relação aos custos totais das seguradoras por tipo de cobertura, o mesmo estudo concluiu por um “enorme peso das despesas com cuidados em ambulatório e com internamentos hospitalares e partos”.

Em 2008, os custos totais em ambulatório foram de 211 328 612 euros e, no internamento hospitalar e parto, 116 556 235 euros.

Segundo a APHP, o volume de negócios das unidades privadas em 2009 rondou os 900 milhões de euros, valor que deverá aumentar para 1000 milhões de euros em 2010.


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