Prisão perpétua para dois militares turcos nas primeiras condenações sobre golpe fracassado

Prisão perpétua para dois militares turcos nas primeiras condenações sobre golpe fracassado

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   5 de Jan de 2017, 15:57

Um tribunal da cidade de Erzurum, leste da Turquia, condenou dois militares oficiais superiores a prisão perpétua, nas primeiras sentenças relacionadas com a fracassada tentativa de golpe de Estado em julho.

 

A agência noticiosa estatal Anadolu referiu que o tribunal desta cidade do leste da Anatólia condenou o ex-coronel Murat Kocak e o ex-major Murat Yilmaz por tentativa de abolir a “ordem constitucional” da Turquia.

Os dois homens integravam o comando da polícia militar quando ocorreu o fracassado golpe de 15 de julho, que o Governo diz ter sido orquestrado por uma rede de seguidores de Fethullah Gülen, o clérigo muçulmano exilado nos Estados Unidos que tem negado qualquer envolvimento na intentona destinada a derrubar o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os dois militares condenados também rejeitaram as acusações. Na sequência dos acontecimentos de 15 e 16 de julho, a polícia militar foi colocada sob controlo do ministério do Interior.

A Turquia permanece em estado de emergência na sequência do golpe, e na terça-feira o parlamento aprovou uma moção do Governo que prolonga por mais três meses a medida de exceção.

Depois da tentativa de golpe, as autoridades desencadearam uma vaga repressiva sem precedentes, em particular dirigida às redes do Hizmet (Serviço, o movimento de Gülen), com a detenção de 41.000 pessoas e purgas que abrangeram mais de 100.000 funcionários do Estado, incluindo nas forças de segurança, sistema judicial, media e ensino.

Os julgamentos que vão ser iniciados a partir de agora e deverão prolongar-se por meses. Em 29 de dezembro iniciou-se em Istambul o julgamento de 29 oficiais da polícia acusados de não terem fornecido proteção a Erdogan durante a tentativa de golpe.

A nível internacional têm aumentado os alertas sobre a amplitude das purgas na Turquia, com os setores críticos a considerem que o estado de emergência está a ser utilizado para atingir os opositores de Erdogan. Em paralelo, o Presidente turco tem-se referido a uma crescente “pressão popular” para a reposição da pena de morte do país.

Um dos principais julgamentos, com início previsto para 20 de fevereiro, envolve 47 suspeitos acusados de tentarem assassinar Erdogan numa estância balnear na noite do golpe.


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