Prisão domiciliária de Ricardo Salgado substituída por caução de 3 milhões

Prisão domiciliária de Ricardo Salgado substituída por caução de 3 milhões

 

Lusa/AO Online   Nacional   22 de Out de 2015, 07:56

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado viu hoje as medidas de coação alteradas, podendo ficar em liberdade, mediante a prestação de uma caução de três milhões de euros, revelou o Ministério Público.

“O arguido fica igualmente sujeito à proibição de contactos, designadamente com os restantes arguidos no processo, e à proibição de se ausentar para o estrangeiro”, refere uma nota à imprensa hoje divulgada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fonte oficial de Ricardo Salgado, contactada pela agência Lusa, disse que não tinha qualquer comentário a fazer.

Ricardo Salgado estava em prisão domiciliária desde 24 de julho, no âmbito do processo "Universo Espírito Santo".

A nota da PGR esclarece ainda que, “até ser proferido despacho que julgue válida a prestação de caução, o arguido permanecerá sujeito à obrigação de permanência na habitação”.

O ex-banqueiro mantém-se em prisão domiciliária, com polícia à porta da sua moradia em Cascais.

Depois de ter sido interrogado a 24 de julho, pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), a pedido do Ministério Público, Ricardo Salgado ficou sujeito à obrigação de permanência na residência, sem vigilância eletrónica (pulseira), mas com agentes da PSP à porta de casa, por se considerar existir perigo de fuga.

Além de Ricardo Salgado, que é também arguido num outro processo (Monte Branco) sobre branqueamento de capitais, foram ainda constituídos arguidos na investigação ao "Universo Espírito Santo" Isabel Almeida, ex-diretora diretora financeira do BES, que foi "braço direito" do antigo administrador Morais Pires, António Soares, ex-diretor do BES Vida, Pedro Luís Costa, ex-administrador do Espírito Santo Ativos Financeiros, José Castella, antigo responsável pela tesouraria do Gupo Espírito Santo, e Cláudia Boal de Faria, que pertenceu à área de vendas e estruturação do BES, responsável pela área da poupança do Novo Banco.

Ricardo Salgado - antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES) - ficou também proibido, por decisão do juiz Carlos Alexandre, de contactar os outros cinco arguidos do caso.

Em causa, na investigação ao "Universo Espírito Santo", que poderá contar futuramente com mais arguidos, estão suspeitas da prática de crimes de falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no setor privado e branqueamento de capitais.

Alguns dos arguidos na investigação foram ouvidos na comissão de inquérito parlamentar ao caso BES e viram os seus bens serem arrestados, em junho, por forma a impedir a sua dissipação, pondo em causa pagamentos, em caso de condenação.

O BES, tal como era conhecido, acabou a 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num 'banco bom', denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos, no BES, o 'banco mau' ('bad bank'), que ficou sem licença bancária.

Depois de mais de 20 anos na liderança do BES, Salgado, 71 anos, deixou o cargo a 20 de junho de 2014, antes da intervenção do Banco de Portugal na instituição financeira, ocorrida a 03 de agosto de 2014.

Para trás, ficaram mais de duas décadas na liderança do BES: Ricardo Salgado assumiu, pela primeira vez, a presidência executiva do BES em 1991, após a reprivatização, iniciando um percurso que levou ao aumento da quota de mercado de 8% para 20% e à internacionalização do banco.

Casado e pai de três filhos, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado nasceu a 25 de junho de 1944, em Cascais, mas passou os primeiros anos da sua vida em Lisboa, na Lapa, onde viveu.


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