Papéis do Panamá

Primeiro-ministro da Islândia demite-se

Primeiro-ministro da Islândia demite-se

 

Lusa/AO online   Internacional   5 de Abr de 2016, 16:46

O primeiro-ministro da Islândia Sigmundur Gunnlaugsson, alegadamente envolvido no caso "Papéis do Panamá", demitiu-se do cargo, anunciou o seu Partido Progressista que lidera a coligação no poder.

 

“O primeiro-ministro informou o grupo parlamentar [do Partido do Progresso] que vai demitir-se das suas funções de primeiro-ministro”, indicou em direto pela televisão Sigurdur Ingi Johannsson, vice-presidente do partido e ministro da Agricultura.

Previamente, o Presidente da Islândia tinha anunciado numa comunicação televisiva a sua recusa em dissolver o parlamento do país, contrariando um pedido nesse sentido emitido por Gunnlaugsson.

Ao regressar precipitadamente de uma viagem privada aos Estados Unidos, o Presidente Olafur Ragnar Grimsson explicou numa declaração televisiva que antes de qualquer decisão pretende designadamente consultar o Partido da Independência, aliado do primeiro-ministro e do seu Partido do Progresso, para conhecer a posição desta organização política.

“Recusei assinar uma declaração destinada à dissolução do parlamento e informei o primeiro-ministro que não poderia consenti-la antes de me reunir com os responsáveis de outros partidos para conhecer a sua posição”, declarou.

O chefe do Executivo tinha ameaçado dissolver o parlamento caso o seu aliado Partido da Independência optasse por abandonar a coligação governamental.

Na segunda-feira, Gunnlaugsson tinha excluído demitir-se após a revelação de que possui bens dissimulados num paraíso fiscal, no âmbito da publicação dos chamados Documentos do Panamá (Panama Papers), e que levaram à rua milhares de manifestantes em cólera.

A oposição de esquerda exigiu o seu afastamento logo após a divulgação dos documentos, onde se refere que terá criado em 2007 uma sociedade com a sua mulher nas ilhas Virgens britânicas para gerir a sua fortuna.

O caso estava a revelar-se particularmente sensível num país ainda marcado pelos escândalos da década de 2000 que envolveram o setor financeiro e pelo colapso económico registado em 2008.

De acordo com os documentos publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), Gunnlaugsson, 41 anos, deteria 50 por cento da sociedade envolvida até ao final de 2009. Quando foi eleito pela primeira vez deputado em abril de 2009, na qualidade de líder do Partido do Progresso, omitiu essa participação na sua declaração de património.

Após um governo social-democrata, que subiu ao poder na sequência do colapso económico da Islândia em 2008, Gunnlaugsson garantiu o cargo de primeiro-ministro em 2013 com o apoio do Partido da Independência, cujo líder, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças, também surge nos “Documentos do Panamá”.

Uma lista de mais de 70 nomes de chefes ou ex-chefes de Estado alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com sociedades ‘offshore’ foi divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Os documentos revelam que milhares de empresas foram criadas em paraísos fiscais para que políticos e personalidades administrassem o seu património.


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