Primeiro Ministro afasta despedimentos na função pública e vinda do FMI para Portugal


 

Lusa/AO On Line   Nacional   4 de Nov de 2010, 05:46

O primeiro-ministro recusou hoje recorrer à intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), recusou a hipótese de despedimentos na administração pública e afastou o cenário de uma remodelação governamental a breve prazo
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Estas posições foram transmitidas por José Sócrates, durante uma entrevista de 30 minutos à TVI e que foi centrada na atual situação económica e financeira do país.

Questionado se admite a hipótese de uma intervenção do FMI para ajudar a solucionar os problemas da economia portuguesa, o líder do executivo deu uma resposta direta: “Não, não admito recorrer ao FMI”, porque “Portugal não precisa de ajuda nem de assistência para resolver os seus problemas”.

Já na parte final da entrevista, o jornalista Henrique Garcia, que juntamente com a jornalista Constança Cunha e Sá fez a entrevista ao primeiro-ministro, questionou José Sócrates sobre quando vai ocorrer a remodelação governamental e que ministros vai abranger.

Mas José Sócrates começou por usar o humor na sua resposta: “sabe mais do que eu”, disse, dirigindo-se a Henrique Garcia.

Mais a sério, o primeiro-ministro fez depois questão de acentuar que uma remodelação do seu executivo depende de si.

“Sou eu que decido [uma remodelação]. Eu não entendo fazer uma remodelação governamental”, afirmou José Sócrates.

Na primeira parte da entrevista, que versou o tema do Orçamento do Estado para 2011, o primeiro-ministro afastou o cenário de nos próximos meses ainda serem necessárias mais medidas de austeridade para que Portugal atinja no próximo ano um défice de 4,6 por cento.

Neste ponto, afastou o recurso a receitas extraordinárias ao longo de 2011, mas também a possibilidade de seguir a decisão do Governo britânico de despedir 500 mil funcionários públicos.

“Aqui não se despedirá ninguém”, assegurou o primeiro-ministro, afastando assim a hipótese de se proceder em Portugal, a prazo, a despedimentos de funcionários da administração pública.

Na entrevista, José Sócrates procurou fazer passar a mensagem de que a crise da dívida soberana não é especificamente portuguesa, mas “um problema de toda a Europa”, e rejeitou que os seus governos tenham falhado na capacidade de antecipação dos fenómenos económicos, ou que tenham seguido uma política eleitoralista em 2009.

“Só queria que percebessem a turbulência em que o mundo entrou depois de 2008”, declarou.

Sobre as negociações com o PSD para a viabilização do Orçamento, o primeiro ministro disse que houve cedências das duas partes, tendo o Governo aceite, embora sem ficar convencido, a proposta dos sociais democratas no sentido de não limitar as deduções dos 4º, 5º e 6º escalões do IRS.

Em relação à forma como compensará os 500 milhões de euros que saíram da receita do Estado na sequência do acordo com o PSD, o líder do executivo disse que “haverá redução de despesas repartidas pelos vários ministérios e um aumento das receitas não fiscais”.


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