Primeiro grupo de migrantes reenviado hoje para a Turquia após acordo entre a UE e Ancara

Primeiro grupo de migrantes reenviado hoje para a Turquia após acordo entre a UE e Ancara

 

Lusa/AO Online   Internacional   4 de Abr de 2016, 06:43

O primeiro grupo de migrantes que entraram ilegalmente na Europa, incluindo os refugiados provenientes da Síria, vai ser hoje reenviado para território turco a partir da Grécia, uma das medidas previstas no acordo UE-Turquia assinado em 18 de março.

 

O primeiro grupo será composto por 500 migrantes que estão atualmente em território grego, precisaram na quinta-feira fontes comunitárias citadas pela agência noticiosa France-Presse.

Em 2015, cerca de um milhão de pessoas atravessou o mar Egeu em direção à Grécia, mas segundo as autoridades gregas e após a entrada em vigor do acordo UE-Turquia, o fluxo diminuiu de forma significativa.

Na sequência do encerramento da “rota dos Balcãs” no final de fevereiro, cerca de 50.000 exilados não abrangidos pelo acordo permanecem contudo bloqueados na Grécia.

Fonte governamental helénica afirmou que o processo de reenvio que hoje se inicia irá “muito provavelmente” ocorrer a partir de Quios ou de Lesbos, as ilhas que têm recebido uma grande parte dos migrantes provenientes da Turquia e onde milhares de pessoas tentam ser registadas em centros sobrelotados.

A Turquia, que acolheu 2,7 milhões de refugiados sírios desde o início do conflito em 2011, tornou-se o ponto de partida de numerosos destes refugiados, mas também iraquianos, afegãos ou eritreus que pretendem alcançar as fronteiras da UE.

Na sexta-feira, Amnistia Internacional (AI) acusou as autoridades turcas de forçarem diariamente o regresso de refugiados sírios ao seu país, assolado pela guerra, ao denunciar os efeitos perversos do acordo sobre os migrantes entre Bruxelas e Ancara.

Ao basear-se em informações recolhidas nas províncias fronteiriças do sul da Turquia, a organização de defesa dos direitos humanos afirmou que a polícia turca reagrupa e expulsa cerca de uma centena de sírios “quase diariamente desde meados de janeiro”.

A Turquia tem desmentido firmemente ter forçado os sírios a regressarem ao seu país, insistindo na manutenção da sua política de “porta aberta”.

O acordo prevê o reenvio para a Turquia de todos os migrantes que cheguem irregularmente à Grécia a partir de 20 de março, incluindo os requerentes de asilo sírios, com a contrapartida da “reinstalação” na UE, proveniente de território turco, de um sírio por cada compatriota reenviado, num limite máximo de 72.000 lugares.

Assim, um primeiro grupo de sírios provenientes da Turquia é hoje esperado na Alemanha. “De início são algumas dezenas, sobretudo famílias com crianças”, esclareceu o porta-voz do ministério do Interior alemão.

A chanceler alemã Angela Merkel é considerada a grande inspiradora deste controverso acordo, muito criticado por diversos ONG e pelo Alto comissariado para os refugiados (HCR) da ONU.

Em troca da cooperação da Turquia para travar a atual vaga migratória, os líderes da UE concordaram em acelerar a liberalização dos vistos para os visitantes turcos, relançar as negociações de adesão e duplicar, para um total de seis mil milhões de euros, a ajuda que será concedida à Turquia até 2018, para melhorar as condições de vida dos milhões de sírios já refugiados naquele país.

 


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