Presidente eleito das Filipinas defende assassínio de jornalistas corruptos

Presidente eleito das Filipinas defende assassínio de jornalistas corruptos

 

Lusa/AO online   Internacional   31 de Mai de 2016, 17:31

O Presidente filipino eleito, Rodrigo Duterte, defendeu que os jornalistas corruptos são alvos legítimos de assassínio, ao intensificar a sua campanha anticrime com a oferta de recompensas pela morte de traficantes de droga.

 

Duterte venceu as eleições realizadas este mês por uma esmagadora maioria, sobretudo devido a uma forte campanha a favor da lei e da ordem, em que se comprometeu a pôr fim ao crime em seis meses matando dezenas de milhares de criminosos.

O político de discurso inflamado lançou uma série de tiradas pós-eleitorais contra os criminosos e repetiu a promessa de os matar – particularmente traficantes de droga, violadores e assassinos.

Numa conferência de imprensa convocada hoje para anunciar o seu gabinete em Davao, a sua cidade natal, no sul das Filipinas, Duterte disse que os jornalistas que aceitaram subornos ou estão envolvidos em outras atividades corruptas também merecem a morte.

“Lá porque se é jornalista, não se está livre de assassínio, se se for um filho da puta”, disse Duterte, quando lhe perguntaram como resolveria o problema dos assassínios de jornalistas nas Filipinas, depois de um repórter ter sido morto a tiro em Manila na semana passada.

As Filipinas são um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas, com 174 assassinados desde que uma democracia caótica e manchada pela corrupção substituiu a ditadura de Ferdinando Marcos há três décadas.

“A maioria dos que foram mortos, para ser franco, alguma coisa fez. Não se é morto se não se fizer algo de errado”, sustentou o recém-eleito chefe de Estado, acrescentando que muitos jornalistas das Filipinas são corruptos.

Duterte também afirmou que a consagração da liberdade de expressão na Constituição não protege necessariamente uma pessoa de violentas repercussões por difamação.

“Isso não é só liberdade de expressão. A Constituição já não pode proteger alguém que desrespeite outra pessoa”, frisou.

O novo dirigente filipino deu como exemplo o caso de Jun Pala, um jornalista e político que foi assassinado em Davao em 2003, por atiradores numa mota. Pala era um feroz crítico de Duterte e o seu homicídio nunca foi solucionado.

“Quem for um jornalista em condições, não tem nada a temer, nada lhe acontecerá”, assegurou Duterte, que foi presidente da câmara de Davao durante a maior parte das últimas duas décadas e é acusado de ligações a esquadrões da morte.

“O exemplo disso é Pala. Não quero diminuir a sua memória, mas ele era um grande filho da puta. Mereceu o que lhe aconteceu”, declarou.

O novo Presidente filipino, que tomará posse a 30 de junho, também disse que vai oferecer recompensas aos polícias que matarem traficantes de droga.

Segundo Duterte, três milhões de pesos (21.000 dólares) serão pagos aos agentes policiais que matarem barões da droga, e montantes mais baixos a quem matar elementos menos importantes da hierarquia dos gangs da droga.


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