Presidente da Transmaçor diz que todas as normas de segurança são cumpridas


 

LUSA/AO online   Regional   9 de Set de 2015, 13:41

O gerente da Transmaçor, empresa de transporte marítimo de passageiros e viaturas nos Açores, afirmou hoje que a transportadora cumpre "todas as normas de segurança" e tem investido milhares na formação, mas está em "falência técnica"

"Em 2012 investimos mais de 70 mil euros só em formação. Toda a tripulação da Transmaçor pode ir trabalhar em qualquer navio e em qualquer parte do mundo. São formações dadas de cinco em cinco anos. No início de 2016 vamos fazer uma reciclagem na área dos primeiros socorros", afirmou Luís Paulo Morais, que foi hoje ouvido na comissão de inquérito do parlamento açoriano aos transportes marítimos de passageiros e infraestruturas portuárias, em Ponta Delgada.

Em novembro de 2014, um cabeço do cais de São Roque do Pico rebentou e atingiu mortalmente o passageiro de um navio. Segundo um relatório do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM), o cabeço não tinha manutenção e apresentava mesmo uma fissura.

Um dia antes e também já no anterior mês de junho, foram arrancados cabeços de amarração na Horta (Faial) e na Madalena do Pico, respetivamente.

Questionado sobre a segurança da operação da Transmaçor, Luís Paulo Morais, na empresa desde 2011, reiterou que "os acidentes não são coisas previsíveis", que "a operação da Transmaçor decorre em segurança" e que os navios estão devidamente certificados.

A Transmaçor opera nos denominados portos do triângulo (Faial, Pico e São Jorge) com os navios “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano”, ambos propriedade da Atlânticoline, que custaram cerca de oito milhões cada um.

"Foi uma mais-valia muito grande relativamente ao conforto e à segurança dos passageiros. Estes navios são uma ponta que une três ilhas, até porque passaram a permitir o transporte de viaturas em melhores condições", disse o administrador, acrescentando que desde então se tem verificado "um aumento significativo" do número de passageiros e viaturas.

Segundo o administrador, este ano, até 31 de agosto de 2015 a Transmaçor já tinha transportado nos dois barcos 31 mil passageiros, o que significa um acréscimo de 10% face ao último ano, e 8.563 viaturas.

A entrada em funcionamento destes dois novos navios obrigou a empresa a contratar 20 funcionários.

Sobre a situação financeira da empresa, Luís Paulo Morais precisou que a Transmaçor tem um passivo de 5,5 milhões de euros e que o Governo Regional deve à empresa, pelas obrigações de serviço público, 1,6 milhões de euros. Desde 2009 os resultados operacionais têm sido negativos, admitindo, por isso, que a empresa está em "falência técnica".

Mesmo que a Transmaçor tivesse uma situação financeira saudável, considerou, "não fazia sentido a região ter duas empresas com capitais sociais públicos com o mesmo objeto", ou seja, o transporte de passageiros e viaturas.

O responsável salientou que a fusão da Transmaçor e da Atlânticoline, que será formalizada hoje em Ponta Delgada, vai permitir "reduzir custos e melhorar em termos operacionais", e acrescentou que "na prática a fusão já começou há algum tempo", ao nível, por exemplo, dos "horários justados".

Segundo Luís Paulo Morais, que também é vogal da administração da Atlânticoline desde dezembro de 2014, o regresso da sede social da empresa ao Faial é como "o bom filho que à casa do pai volta".

Numa sessão em que os jornalistas apenas puderam assistir à exposição inicial do responsável e a uma primeira ronda de perguntas dos partidos, por o processo sobre o acidente mortal de São Roque do Pico estar em segredo de justiça, Luís Paulo Morais assegurou que a administração da Transmaçor não interfere nas decisões tomadas pelos mestres das embarcações no sentido de atracar ou cancelar a operação.

"Temos seis mestres na Transmaçor e apenas um ainda não opera estes novos navios. Eles por várias vezes já escalaram outros portos com mau tempo", disse, assegurando que "não há procedimentos", pelo que "o objetivo é atracar bem o navio em cada porto e isso depende muito das condições meteorológicas existentes no momento e de cada mestre".


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