Presidente da TAP admite que resultados positivos em 2014 estão comprometidos

Presidente da TAP admite que resultados positivos em 2014 estão comprometidos

 

Lusa/AO online   Economia   9 de Dez de 2014, 17:23

O presidente da TAP disse que o resultado previsto para 2014 "dificilmente será atingido", depois do impacto das greves, e tem dúvidas ainda se o transporte aéreo vai chegar aos lucros, como nos últimos anos.

Nos últimos anos, a TAP S.A., a empresa que tem o transporte aéreo, tem vindo a aumentar os lucros, enquanto a TAP SGPS, que engloba, entre outras empresas, a Groundforce e a Manutenção e Engenharia Brasil [M&E Brasil], tem vindo a reduzir os prejuízos.

"O primeiro semestre foi muito bom. O segundo semestre teve esse efeito [de perdas de 25 milhões de euros com as greves], não está sendo brilhante e tem o efeito das greves [ainda eventuais] que pode prejudicar o resultado. Tanto o verão como o dezembro são extremamente importantes, vamos ver como é que se vai comportar agora" o último mês do ano, disse Fernando Pinto num encontro com os jornalistas, em Lisboa.

Mas as reservas para o final do ano também não estão tão animadoras quanto se poderia esperar. "Há expectativa porque houve uma perda de mercado e porque as reservas também estão a ser feitas mais em cima da hora", disse o responsável, explicando que a perda de mercado se deve à insegurança à possibilidade de novas greves.

"O passageiro não sabe se vai ter voo, se não vai [se há greve ou não]. Estamos a níveis [de reservas] do ano passado, abaixo do que tínhamos pensado", afirmou, acrescentando que isto acontece no mercado brasileiro - que ainda não recuperou das dúvidas com as eleições, com o enfraquecimento da economia e com a venda antecipada de viagens no Mundial de Futebol - e no português, este último devido à "insegurança" em relação à operação da TAP.

"Os restantes mercados estão bem, só que Portugal e Brasil representam 50% das vendas da TAP", explicou.

Questionado se admite até que o transporte aéreo possa vir a não conseguir atingir lucros, afirma: "Não sabemos ainda. Há sempre a tentativa de chegar lá, mas o que tínhamos projetado dificilmente será atingido".

A TAP S.A. registou um lucro de 34 milhões de euros em 2013, uma subida de 42% em relação a 2012, completando cinco anos consecutivos de resultados positivos e para este ano estavam projetados lucros "ligeiramente acima do ano anterior", afirmou, sem concretizar.

"Que (as greves) já prejudicaram o resultado não há dúvida nenhuma", sublinhou, afirmando que a perda total para a empresa de uma greve por dia acaba por ser sempre os cinco milhões, logo a paralisação em agosto dos pilotos e as outras quatro dos tripulantes em novembro totalizaram os 25 milhões de euros de impacto que vão "diretos ao resultado" da transportadora.

Apesar de não ter avançado valores, o responsável admitiu também que as indemnizações devido ao cancelamento de voos no verão "têm alguma importância" em termos de valores, embora "o peso da imagem tenha provocado uma perda maior".

Na TAP SGPS, o gestor espera que "genericamente todas as empresas, e são várias, obtenham resultados positivos" à exceção da M&E Brasil (ex VEM), que deverá ficar "próxima da estabilidade do resultado operacional".

"Vai haver alguma perda, mas o que comanda tudo é o transporte aéreo, se este tiver resultados sólidos podemos até chegar lá (aos lucros], senão já vai ser mais difícil", concluiu Fernando Pinto.

Os pilotos reúnem-se na quarta-feira para analisarem a privatização da TAP, anunciou na segunda-feira o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), o que poderá resultar na marcação de uma nova greve.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.