Presidente da República interpela políticos a prepararem período pós-eleições


 

Lusa/AO Online   Nacional   2 de Jan de 2015, 06:27

O Presidente da República interpelou hoje os portugueses e, em especial os políticos, a prepararem o período pós-eleições, sublinhando que não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis.

"Em devido tempo, chamei a atenção do país para prepararmos o período ‘pós-troika’. Agora interpelo os portugueses - e, em especial, os políticos - a prepararem o período pós-eleitoral", disse o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na tradicional mensagem de Ano Novo, que dirigiu esta noite aos portugueses.

Pois, acrescentou, não é só no dia a seguir às eleições que se constroem "soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes, capazes de assegurar o crescimento económico e dar esperança aos portugueses".

Centrando o essencial da mensagem nas legislativas que se deverão realizar depois do verão, Cavaco Silva defendeu que o período pós-eleições deve corresponder a um tempo de confiança no país, quer no plano interno, quer no plano internacional.

"Existem razões de esperança no futuro. Mas a esperança não se proclama com meras palavras", advertiu, considerando que a esperança constrói-se com "sentido de interesse nacional", atitudes e gestos concretos que contribuam efetivamente para resolver os problemas reais do país.

Ainda relativamente ao período pós-eleições, e seja qual for o resultado eleitoral, o Presidente da República lembrou que será marcado por "exigências de compromisso e de diálogo".

Na sua intervenção, Cavaco Silva fez ainda referência à situação do país, reiterando que "Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer", que deve ser feito em conjunto, "com abertura e diálogo entre as diversas forças partidárias", contando com o contributo dos agentes económico e dos parceiros sociais.

Por outro lado, acrescentou, Portugal está sujeito às exigências de disciplina orçamental e de sustentabilidade da dívida pública, não podendo o país regredir para uma situação semelhante àquela a que chegou em 2011, quando foi obrigado a recorrer a auxílio externo de emergência.

"Só o rigor e a transparência na condução da política nacional permitirão a melhoria continuada das condições de vida das pessoas", defendeu.

O combate à corrupção, tema que já foi objeto de várias intervenções do Presidente da República, foi igualmente referido na mensagem de Ano Novo, com Cavaco Silva a considerar que esse combate é "uma obrigação de todos".

O chefe de Estado deixou também uma nota sobre "os momentos particularmente difíceis" que muitos portugueses viveram em 2014, não obstante "os sinais de esperança" que começaram a surgir.

"Não nos podemos deixar abater pelo desânimo nem cultivar o pessimismo. Devemos olhar o futuro com confiança renovada", referiu, insistindo que "é preciso criar condições políticas" para a reforçar a tendência que já se verifica de crescimento da economia, diminuição do desemprego e recuperação do investimento, além de não se desperdiçar o "trunfo" que são os fundos europeus colocados à disposição do país.

Mas, vincou, apesar dos sinais positivos, a situação das famílias atingidas pelo desemprego e pela pobreza e a correção das desigualdades sociais devem continuar a merecer particular atenção da parte de todos os agentes políticos.


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