Presidente da Câmara do Funchal defende mais meios de fiscalização e monitorização


 

Carmo Rodeia   Regional   7 de Mar de 2010, 07:22

 O presidente da câmara do Funchal, Miguel Albuquerque, admite que existiram erros no crescimento da construção nas zonas altas da cidade e defende uma aposta na monitorização para detetar antecipadamente as aluviões.

“Pode ter havido erros, mas o crescimento das zonas altas não surgiu de um dia para o outro, é um processo secular de povoamento da cidade ao longo de muitas gerações”, disse o autarca à Lusa

Reagindo às críticas que lhe são dirigidas nesta matéria, Albuquerque responde: “como presidente da câmara já fui acusado de tudo. Devemos debater as causas e as consequências num debate que deve ser consistente, se bem que esteja num contexto político”.

Recorda que foi já a pensar na minimização do perigo de aluviões que a câmara criou em 1994/95 o Parque Ecológico do Funchal, 1200 hectares na área alta da cidade, no qual foram plantadas 770 mil árvores.

A ideia, diz, era “regenerar a floresta indígena”, contribuindo para “evitar a erosão dos solos com o consequente deslizamento em casos de pluviosidade e garantir, através da infiltração, a absorção da água”

Considera que as políticas têm de passar também pelo desassoreamento e a proteção das ribeiras, garantindo que “não tem havido construção nas linhas de água”.

Ainda no que respeita às ribeiras, Miguel Albuquerque afirma que “tem sido feito sempre o desentupimento das águas pluviais do Funchal”, realçando que a “02 de fevereiro choveu 111 milímetros em 24 horas - a maior pluviosidade em 24 horas desde 1959 - sem causar problemas no Funchal”.

“Como consequência dessa chuvada, nos dias 12, 13 e 14 de fevereiro, se bem que não fosse nossa competência acompanhámos o desassoreamento das três ribeiras do Funchal”, refere.

Realça que uma intempérie como a de há 15 dias “nunca aconteceu na história da cidade” e recorda que na última aluvião, em 1993, caiu “chuva na cidade do Funchal de 30, 32 milímetros por hora” enquanto a 20 de fevereiro foi de 52, “quase o dobro”.

O autarca explica que a monitorização feita pelo município “detetou 173 deslizamentos nas zonas entre os 600 e mil metros com grandes movimentações de terras nessas áreas super altas, onde não existe habitação, com índices de pluviosidade que chegaram a atingir, entre as 10 e as 11 da manhã, 190 milímetros”.

“São casos excecionais. É evidente que esta situação exige não politiquice mas uma explicação técnica”, diz.

Albuquerque sustenta que “tudo o que seja tapar as ribeiras é mau mas têm de existir áreas de atravessamento”.

“Podemos melhorar. Como ninguém sabe tudo, é bom irmos refletindo e ver como podemos melhorar esses atravessamentos”, frisa, dando como exemplo a necessidade de retirar os postos de abastecimento de combustíveis por cima das ribeiras.

“Há lições que podem ser já tiradas”, assegura, defendendo “radares e mecanismos de deteção, sobretudo nas zonas altas”.

“Mas é preciso ter noção de que este trabalho não invalida um grau de risco. Vivemos numa cidade onde os aluviões são cíclicos”, conclui


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.