Presidente argentino diz que há mais "afeto" do que negócios e política com Portugal

Presidente argentino diz que há mais "afeto" do que negócios e política com Portugal

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   13 de Jun de 2017, 18:14

O Presidente da República da Argentina, Maurício Macri, lamentou que as relações económicas e políticas com Portugal não se encontrem ao mesmo nível dos "profundos" laços históricos e de "afeto" entre portugueses e argentinos.

 

Esta foi uma das principais mensagens deixadas por Maurício Macri na declaração conjunta que fez com o primeiro-ministro português, António Costa, em visita oficial à Argentina.

O chefe de Estado argentino manifestou também a sua estranheza por a última visita oficial de um primeiro-ministro português à Argentina ter acontecido em 1997, quando o cargo era exercido por António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas.

"Vinte anos é muito tempo", considerou o Presidente da República da Argentina.

"Dado que estamos unidos pelo afeto e pela História, queremos agora aprofundar as nossas relações [económicas], que não estão ao nível do nosso afeto. Coincidimos, eu o primeiro-ministro português, que o multilateralismo e a cooperação são as ferramentas essenciais para enfrentarmos a globalização", declarou Maurício Macri perante os jornalistas no final de uma reunião de uma hora com António Costa na sede do governo argentino, na Casa Rosada.

Nas declarações, o chefe de Estado argentino também deixou críticas ao período de protecionismo da sua antecessora no cargo, Cristina Kirchner.

"Queremos também que haja uma maior dinâmica entre a Uunião Europeia e o Mercosul. Penso que esse acordo será a autoestrada se para estreitar a integração entre Portugal e a Argentina", disse.

Macri lamentou que a Argentina, "apesar das potencialidades que o mundo reconhece ao país, devido a uma falta de visão de longo prazo e de rejeição de integração no mundo”, tenha hoje “um terço da sua população em situação de pobreza".

"Acreditamos que o caminho para retirar esta parte da população da pobreza passa por uma integração inteligente da Argentina no mundo", declarou, numa crítica ao protecionismo económico.

No que respeita às relações com Portugal, o chefe de Estado argentino considerou que "há muitas oportunidades de desenvolvimento em termos de cooperação, desde os setores do automóvel, energia, agroalimentar, calçado e têxtil".

"Temos um programa de infraestruturas com parcerias público-privadas - e aqui também podemos cooperar", sustentou.

Na sua declaração, Maurício Macri agradeceu a António Costa o apoio de Portugal para que a Argentina seja membro de pleno direito da OCDE.

"Esse passo [da OCDE] é essencial no nosso caminho para o cumprimento e transparência" em termos financeiros perante as instituições internacionais, acrescentou o Presidente da República da Argentina.



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