Pregador papal pede desculpa de declarações sobre pedofilia


 

Lusa/AO Online   Internacional   4 de Abr de 2010, 08:44

O pregador do Vaticano, que sexta-feira citou uma comparação entre os ataques à Igreja e o antissemitismo, apresentou hoje desculpa no jornal Corriere della Sera.

"Se, contra a minha vontade, feri a sensibilidade dos judeus e das vítimas de pedofilia, lamento-o sinceramente e peço desculpa, reafirmando a minha solidariedade para com uns e outros", declarou o padre Raniero Cantalamessa ao mais importante diário italiano.

Sexta-feira, durante a liturgia da Paixão de Cristo, o padre Cantalamessa leu diante do papa um excerto de uma "carta de apoio" ao papa e à Igreja Católica que disse ter recebido de um "amigo judeu".

Nessa carta, o autor lamentava "o ataque violento e concêntrico contra a Igreja e o papa" e afirmava que "a utilização do estereótipo, a passagem da responsabilidade e das falhas pessoais para uma falha coletiva, lembram-me os aspetos mais vergonhosos do antisemitismo".

A comparação, que o Vaticano assegurou "não ser a sua linha", suscitou críticas de comunidades judaicas de todo o mundo. Ao Corriere della Sera, o padre Cantalamessa assegurou que nem o papa nem o Vaticano estavam ao corrente do conteúdo do seu sermão.

"O papa não só não inspirou (o sermão) como, como todos os outros, ouviu pela primeira vez as palavras que pronunciei durante a liturgia", disse, acrescentando que "nunca ninguém no Vaticano tentou ler os (seus) textos por antecipação", o que disse considerar "um sinal de grande confiança".

Questionado pelo jornal sobre a identidade do seu "amigo judeu", o padre Cantalamessa disse que é "um italiano muito ligado à sua religião que autorizou que o seu nome fosse revelado", mas acrescentou que "não quis envolvê-lo diretamente e, agora, ainda menos".

"Se eu pudesse imaginar que ia provocar uma polémica como esta nunca tinha divulgado" a carta, disse, precisando que o seu amigo não queria comparar as perseguições dos judeus às acusações contra a Igreja, mas assinalar "a presença de um anticristianismo difuso na sociedade ocidental".

O pregador do Vaticano tem a seu cargo redigir e dizer os sermões na basílica de São Pedro durante o período da Quaresma até à Páscoa e do Advento. Cantalamessa, um monge capuchinho doutor em teologia, exerce essas funções desde 1980.


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