Preços de rendas, luz, pão e telecomunicações aumentam

Preços de rendas, luz, pão e telecomunicações aumentam

 

LUSA/AO online   Economia   31 de Dez de 2015, 08:33

Os portugueses podem contar, a partir de janeiro de 2016, com aumentos nos preços de eletricidade, pão, rendas ou telecomunicações, enquanto os preços do gás, do leite e dos transportes públicos deverão manter-se

Os preços do gás e do leite deverão manter-se, uma vez que, no primeiro caso, a atualização tarifária só acontece a 01 de julho para os consumidores que se mantêm no mercado regulado e que, no segundo caso, a associação do setor diz que até ao final do primeiro semestre o preço do leite não deverá sofrer alterações “a não ser que haja situações anormais”.

Também as tarifas dos transportes públicos de Lisboa e do Porto ficam inalteradas no próximo ano.

Já o pão deverá sofrer apenas "pequenos ajustamentos" de 2% a 3% em 2016, que terão pouco impacto no preço, ou seja, cerca de meio cêntimo por carcaça, segundo a associação do setor.

 

 

Eis alguns exemplos de como ficam os preços em 2016:

 

+++ Transportes Públicos +++

Os preços dos transportes públicos urbanos de Lisboa e do Porto - Carris e STCP, dos metros de Lisboa e Porto e da Transtejo/Soflusa - vão manter-se inalterados no próximo ano, à semelhança do que aconteceu em 2015.

Contactado pela Lusa, o gabinete do ministro do Ambiente explicou que os aumentos das tarifas “não se justificam”, em função, nomeadamente, da baixa dos preços dos combustíveis, além de o Governo defender “o incremento da mobilidade dos transportes públicos”.

 

+++ Portagens +++

O preço das portagens sobe cinco cêntimos em 2016, mas o aumento é limitado a 10% dos troços das autoestradas portajadas, mantendo-se inalteradas nas restantes, segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

"A revisão anual das taxas de portagem nas autoestradas entra em vigor a 01 de janeiro de 2016, de acordo com os respetivos contratos de concessão, que preveem a atualização com base na variação do Índice de Preços ao Consumidor", recorda o ministério tutelado por Pedro Marques.

Já nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, a atualização varia entre os cinco cêntimos (classe 1, em ambas as pontes) e os 15 cêntimos (classe 4, na ponte Vasco da Gama).

A Infraestruturas de Portugal (IP) vai aumentar em cinco cêntimos 34 das 550 tarifas de portagem das autoestradas que lhe estão concessionadas no próximo ano.

 

 

+++ Água da EPAL +++

 

O preço da água vai subir em média 33 cêntimos por mês para a maioria dos clientes domésticos da EPAL a partir de 01 de janeiro, mas mantém-se a tarifa social e a familiar.

"Para a grande maioria dos clientes domésticos da EPAL, cerca de 86%, o novo tarifário para 2016 vai implicar uma atualização média de 33 cêntimos por mês", lê-se no comunicado da empresa.

A EPAL lembra ainda que tem disponível uma tarifa social destinada a famílias mais carenciadas e que prevê descontos que podem ir até aos 94%.

 

+++ Eletricidade +++

As tarifas de eletricidade no mercado regulado vão subir 2,5% para os consumidores domésticos a partir de 01 de janeiro, o que representa um aumento de 1,18 euros numa fatura média mensal de 47,6 euros.

Já a tarifa social para os consumidores considerados economicamente vulneráveis terá um acréscimo de 0,9%, o que corresponde a um aumento de 19 cêntimos numa fatura média mensal de eletricidade de 21,5 euros.

As tarifas transitórias para os cerca de 1,9 milhões de consumidores que ainda não migraram para o mercado liberalizado aplicam-se a partir de 01 de janeiro de 2016 e vigoram durante todo o ano.

 

+++ Gás +++

As tarifas transitórias do gás natural ficam inalteradas a 01 de janeiro, uma vez que atualização tarifária no gás natural só acontece a 01 de julho para os consumidores que se mantêm no mercado regulado.

A 01 de julho de 2015, as tarifas de gás natural baixaram 3,5% para os clientes domésticos e pequenos comércios (consumo anual inferior ou igual a 10.000 metros cúbicos), caíram 5% para os consumos acima de 10.000 metros cúbicos (pequena indústria) e para os consumidores de média pressão (indústria) baixaram 2,9%. Já a tarifa social registou uma descida de 7,3%.

 

 

+++ Leite +++

Até ao final do primeiro semestre de 2016, o preço do leite não deverá sofrer alterações “a não ser que haja situações anormais que afetem o setor”, como um clima adverso ou subidas da matéria-prima, disse o presidente da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios (ANIL), Paulo Costa Leite.

“Durante o primeiro semestre não haverá condições objetivas para mexer nos preços do leite”, disse à Lusa.

Uma opinião corroborada pelo presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Leite e Laticínios (FENALAC), Fernando Cardoso: “Gostaríamos que houvesse alguma recuperação a nível de preços, mas como a oferta de leite é superior à procura, vai ser difícil”.

O litro de leite meio gordo UHT, que representa mais de metade do leite consumido em Portugal, custa cerca de 52 cêntimos, mas chega muitas vezes aos consumidores mais barato, fruto das “promoções agressivas” da grande distribuição que a ANIL contesta.

“Quem manda nos preços não é a produção, nem a indústria, é a distribuição, que joga com os preços e promoções de forma aleatória e confunde o consumidor com preços que estão desajustados da realidade”, critica o responsável da ANIL, dizendo que os “valores não deveriam descer abaixo de determinados patamares.

 

 

+++ Pão +++

O preço do pão deverá ter “pequenos ajustamentos de 2% a 3% em 2016”, o que significa cerca de meio cêntimo por carcaça, disse à Lusa o presidente da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), José Francisco Silva.

O preço da carcaça ronda atualmente os 12 a 16 cêntimos, pelo que comprar dez papo-secos pode vir a custar mais cinco cêntimos.

“O pão é talvez, dentro do cabaz dos portugueses, o produto mais barato”, sublinhou o industrial, destacando que o preço deste alimento tem uma carga social muito importante.

A atualização vai ser necessária para fazer face à evolução dos custos da energia e aos previsíveis aumentos do salário mínimo, justificou o responsável da ACIP, frisando que é importante fixar este valor o mais rapidamente possível.

O salário mínimo vai aumentar para 530 euros já em janeiro de 2016.

 

+++ Telecomunicações +++

Os preços das telecomunicações da Meo e Vodafone vão subir em média 2,5%, a partir de 01 e 13 de janeiro, respetivamente, enquanto a NOS sobe os tarifários no primeiro dia de 2016, mas não revela o aumento médio.

Já a Vodafone Portugal informa que a partir de 13 de janeiro, e conforme tem acontecido em anos anteriores, "existirá uma atualização de preços, que varia de acordo com o serviço em causa, mas que em média se situará entre 2% e 3%".

A Vodafone Portugal adianta ainda que "os clientes que tenham aderido aos serviços TV Net Voz, no fixo, e RED no móvel, que ainda estejam no período de 24 meses de preço garantido, não terão qualquer alteração nas suas mensalidades".

Já a NOS, operadora que resultou da fusão entre a Optimus e a Zon, escusou-se a avançar o aumento médio, mas adianta que "a partir de 01 de janeiro de 2016", atualizará os seus preços de acordo com o divulgado no ‘site' nos.pt/tarifas2016".

A operadora justifica que "o aumento dos preços varia com a tipologia do serviço ou pacote subscrito, não havendo um valor de referência para toda a base".

Todas as operadoras têm a informação disponível sobre a atualização dos tarifários nos seus 'sites'.

 

+++ Rendas +++

O valor das rendas deverá aumentar 0,16% em 2016, depois de este ano ter ficado congelado, de acordo com os números da inflação dos últimos 12 meses até agosto, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os valores publicados pelo INE, nos últimos 12 meses até agosto a variação do índice de preços excluindo a habitação foi de 0,16%, valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das rendas, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), e que representa mais 16 cêntimos por cada 100 euros de renda.

O aumento de 0,16% das rendas em 2016, aplicável tanto ao meio urbano como ao meio rural, segue-se ao congelamento registado em 2015 na sequência de variação negativa do índice de preços excluindo a habitação, e significa o retomar das atualizações positivas das rendas, que registaram quatro anos de aumentos consecutivos entre 2011 e 2014.

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