PPM insiste na necessidade de proteção dos dialetos dos Açores

PPM insiste na necessidade de proteção dos dialetos dos Açores

 

Lusa/AO online   Regional   20 de Jul de 2017, 13:50

O Partido Popular Monárquico voltou a apresentar no parlamento dos Açores um projeto de resolução que recomenda ao Governo Regional, do PS, que tome medidas para proteger e dignificar os dialetos açorianos.

A iniciativa sugere que o executivo açoriano “planifique e execute as medidas necessárias para proteger, dignificar, valorizar e divulgar os dialetos açorianos, nomeadamente através da criação de mecanismos adequados para promover o seu uso nos órgãos de comunicação social, nos diferentes âmbitos institucionais e no sistema educativo regional”.

A proposta do PPM, que tem um dos 57 deputados na Assembleia Legislativa Regional, já tinha sido apresentada em 2015, na anterior legislatura, tendo sido chumbada pelo PS, em maioria no parlamento, e pelo PCP.

O deputado do PPM, Paulo Estêvão, decidiu apresentá-la novamente por considerar que é uma forma de “reforçar a identidade açoriana”.

“O ensino de História e Geografia dos Açores também foi chumbado várias vezes e depois foi aprovado”, salientou, em declarações à agência Lusa, Paulo Estêvão.

Segundo o parlamentar monárquico, existe um estigma sobre os dialetos açorianos que deve ser quebrado, sob pena de se perder o património linguístico da região.

“As variantes dialetais dos Açores continuam a ser estigmatizadas do ponto de vista social e institucional. Para muitos, as pronúncias e o léxico específico das diferentes ilhas açorianas não são mais que um português atrasado e mal falado”, refere no projeto de resolução.

O deputado do PPM critica na proposta a “enorme pressão uniformizadora por parte da norma-padrão da língua portuguesa”.

“As televisões de âmbito nacional legendam, com frequência, as escassas reportagens que realizam nos Açores, em particular a variedade dialetal micaelense. Veja-se, no entanto, que o mesmo não acontece em relação a outras variantes dialetais do território continental do país”, aponta.

Para Paulo Estêvão, os órgãos de comunicação social, as escolas e o próprio Governo Regional têm responsabilidades na preservação das diferentes formas de falar existentes no arquipélago.

“É necessário fomentar o seu uso nos órgãos de comunicação social de âmbito local e regional. Os dialetos açorianos devem ser constantemente dignificados, valorizados e divulgados. O seu conhecimento e uso frequente deve ser amplamente generalizado nas nossas escolas, no nosso contexto institucional e em toda a latitude da administração pública regional”, defende na iniciativa.

O deputado do Partido Popular Monárquico dá como exemplo o caso da Andaluzia, que cria no seu o Estatuto de Autonomia da Comunidade Autónoma um artigo em que diz que “os meios audiovisuais públicos promoverão o reconhecimento e o uso da modalidade linguística andaluza, nas suas diferentes falas”.



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