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Portugueses dominaram caça à baleia nos EUA até ao fim do negócio

Portugueses dominaram caça à baleia nos EUA até ao fim do negócio

 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Jun de 2010, 15:39

Os portugueses dominaram a caça à baleia nos Estados Unidos desde a década de 1920 até à proibição desta atividade na década de 1980, revela uma nova obra publicada sobre o tema.

“Se no século XVIII a presença portuguesa nas baleeiras americanas rondava 40 por cento, a partir de 1920, quando a caça já não era muito atrativa economicamente para os pescadores norte-americanos e era trabalho muito duro, essa presença aumentou para mais de 60 por cento e a maioria dos barcos passaram a ser capitaneados por portugueses”, explicou o autor, o professor universitário norte-americano Donald Warrin. Intitulado “So End This Day: The Portuguese in American Whaling, 1765-1927”, o livro é uma edição do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Massachusetts Dartmouth e demonstra a preponderância dos portugueses na atividade até à proibição internacional da caça à baleia para fins comerciais. Investigador da presença portuguesa na América, Warrin é autor também de uma obra sobre os portugueses no Faroeste, editada em português pela Bertrand. Foi durante a pesquisa para este livro que descobriu a grande quantidade de nomes portugueses na pesca da baleia e decidiu estudá-la. O livro documenta mais de trezentas viagens nas quais participaram portugueses e cabo-verdianos em portos como New Bedford, Nantucket, Provincetown, New London, São Francisco, incluindo uma lista exaustiva com os nomes de todos os capitães de origem portuguesa ou cabo-verdianas que capitanearam baleeiras norte-americanas. “O primeiro português numa baleeira norte-americana remonta ao ano de 1765 e foi um lisboeta chamado Joseph Swazey, um nome americanizado e o primeiro mestre que está devidamente registado chamava-se Joseph Folger, da ilha do Pico”, explica. Na Califórnia, foram também muitos os capitães de origem portuguesa e cabo-verdiana, nomeadamente John Rogeres, o avô do conhecido professor da universidade de Harvard, Francis Rogers, William F. Joseph e um cabo-verdiano de nome Gonzalez (nome adaptado de Gonçalves), entre outros referidos no livro. E foram estes pescadores das baleeiras norte-americanas, a maioria deles emigrantes clandestinos, que acabou por determinar a fixação de comunidades açorianas nos Estados Unidos. “De certa forma, a pesca da baleia foi uma forma de os açorianos emigrarem para os Estados Unidos, pois a maioria servia apenas uma campanha e ficava no país”, diz. Warrin diz que durante muito tempo a contribuição portuguesa nesta atividade americana foi “praticamente ignorada”. Ao longo da investigação, afirma, o que mais o impressionou foi a “coragem e perseverança destes pescadores de origem portuguesa e cabo-verdiana num tipo de pesca muito perigoso e pouco rentável”, em que as viagens demoravam três a quatro anos, no século XIX. O livro foi recentemente apresentado no Museu da Baleia de New Bedford e na Sociedade Histórica de Stonington, cidades históricas dos baleeiros açorianos. Em julho é a vez do Museu da América e do Mar da cidade histórica de Mystic e de Cold Spring Harbor e Sag Harbor da ilha de Long Island, no Estado de Nova Iorque, outras duas cidades ligadas à pesca da baleia. Em agosto segue-se a Califórnia com apresentações previstas para San Leandro, dia 17, na Portuguese Fraternal Society of America.


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