Português vai estudar ligações entre neurónios nos EUA para "personalizar" terapias

Português vai estudar ligações entre neurónios nos EUA para "personalizar" terapias

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Set de 2012, 10:59

Um médico português vai para o maior centro mundial de estudo do cérebro, estudar ligações entre neurónios e informações genéticas, para perceber qual o medicamento adequado a cada paciente com surto psicótico, e as possibilidades de prevenir a doença.

O psiquiatra Tiago Reis Marques pretende integrar dados acerca do funcionamento das ligações entre neurónios e as características herdadas por cada pessoa, de modo a aumentar a probabilidade de acertar a terapêutica correta para cada caso e mesmo prevenir o aparecimento do primeiro surto psicótico.

Tiago Reis Marques é o primeiro português a ganhar a bolsa para a investigação do mapa cerebral por jovens do NARSAD (Aliança nacional de pesquisa sobre esquizofrenia e depressão), em Los Angeles.

A distinção vai permitir-lhe aprofundar o trabalho que tem vindo a desenvolver nesta área, no Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres, através do qual estudou as alterações nas ligações de doentes com surtos psicóticos.

Atualmente, "com uma imagem das ligações cerebrais [obtida através de ressonância magnética], conseguimos prever que alguns doentes vão responder a uma determinada medicação enquanto outros não, e traduzir isso numa aplicação prática", explicou hoje à agência Lusa o investigador.

Com o trabalho já realizado e através de várias "fotografias" aos cérebros, foi possível detetar diferenças nos "fios" de ligação entre os milhões de milhões de neurónios das pessoas afetadas por psicose.

"O tratamento de um paciente com uma psicose custa milhares de euros, e cada dia que passa sem o doente responder é um grande fardo para o sistema nacional de saúde e para o doente", segundo Tiago Reis Marques.

Com esta bolsa, o psiquiatra pode abranger mais variantes na sua análise e "não só olhar para os fios de ligação entre neurónios, mas também integrar informação genética e informação funcional, ou como os neurónios respondem a determinados estímulos".

O objetivo é "criar uma ferramenta que diga que este doente vai ter 'X' de probabilidade de responder à medicação ou não", concluiu.

A aplicação prática de prognóstico deverá permitir obter uma resposta acerca do fármaco indicado, mas também da dose adequada a cada situação.

"Vou trabalhar com o maior centro mundial no mapeamento cerebral, onde se tenta reconstruir quase fio por fio as ligações cerebrais; vou trabalhar com matemáticos e engenheiros para criar modelos matemáticos e 'software'", de modo a compreender o funcionamento do cérebro, resumiu Tiago Reis Marques.

A meta é "utilizar o grande conjunto de dados já existente, não só para prever resposta à terapêutica, mas também para outras coisas como prever risco" de, perante determinadas características e condições, alguém vir a ter uma doença psicótica, apostando na medicina mais preventiva e prognóstica.


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