Portugal precisa ser mais divulgado na China, defende delegado da AICEP em Xangai

Portugal precisa ser mais divulgado na China, defende delegado da AICEP em Xangai

 

Lusa/AO Online   Economia   31 de Dez de 2016, 13:14

Portugal deve esforçar-se por ser mais divulgado na China, para que os seus produtos alcancem maior recetividade, considera o delegado da AIECP em Xangai, Pedro Aires de Abreu, que defende a aposta no comércio eletrónico.

"Acho que se houver um esforço para dar a conhecer Portugal, a sua cultura e História, tudo isso dará bom nome aos seus produtos", diz o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Formado em Economia, Aires de Abreu dirigiu as delegações da AICEP em Barcelona, Madrid e Viena, antes de ser destacado, há seis meses, para a "capital económica da China".

Criada em 2005, a AICEP-Xangai é a mais nova das três delegações da agência na China, depois de Macau e Pequim.

"Há muito trabalho a ser feito na China", afirma Aires de Abreu.

"Se não for feita uma promoção conjunta, das nossas capacidades, desde o [Cristiano] Ronaldo até ao [Fernando] Pessoa, passando pela nossa indústria, enquanto não conseguirmos pôr cá isso tudo, vai ser muito difícil", diz.

Entre 2011 e 2015, as exportações portuguesas para a China mais do que duplicaram e, no ano passado, fixaram-se em 1,47 mil milhões de dólares (1,40 mil milhões de euros), segundo dados das Alfândegas chinesas.

Em 2015, a China foi o décimo maior cliente de Portugal. Contudo, as vendas de Lisboa a Pequim recuaram 11,59%, face ao ano anterior.

No primeiro semestre de 2016, manteve-se a tendência negativa, com uma descida de 36,4%, em termos homólogos.

A queda deve-se sobretudo à redução nas vendas de veículos fabricados pela Autoeuropa, a unidade da Volkswagen em Setúbal, que até 2014 contribuía para mais de metade das exportações portuguesas para a China.

Em 2015, e face a 2014, a venda de veículos recuou 20,1%. O Instituto Nacional de Estatística estima uma queda superior a 70%, para 2016.

"É uma situação pontual, que tem a ver com a transformação da Volkswagen", diz Aires de Abreu.

Por outro lado, o setor dos alimentares foi o que mais aumentou as vendas para a China no ano passado: 161,1%, em termos homólogos. Para este ano, está previsto um crescimento de 34%.

Em entrevista à agência Lusa, o delegado da AICEP defende ainda que o "futuro", no acesso ao mercado chinês, "está na utilização das plataformas digitais".

"A maioria das nossas empresas são pequenas e médias empresas e ao poderem enviar o produto para a China, se alguém o quiser comprar, eliminam a necessidade de ter um armazém e um agente na China para fazer o negócio", explica.

País mais populoso do planeta, com cerca de 1.375 milhões de habitantes, a China é responsável por quase 40% do conjunto mundial de vendas pela internet.

Pelas contas do Ministério do Comércio chinês, em 2015 o valor de vendas 'online' superou os quatro biliões de yuan (550 mil milhões de euros) - mais do dobro do Produto Interno Bruto português.

Pedro Aires de Abreu considera ainda os vistos 'gold' um projeto "fantástico" e "muito útil" na China.

"Acho que pode ser um canal para vir a interessar os chineses, depois de ter a sua casa lá [em Portugal] e passar lá algum tempo, criar um outro tipo de investimento, mais na área económica, e não tanto na área do imobiliário", afirma.

Os cidadãos chineses compõem 83% dos estrangeiros que investem no âmbito da Autorização de Residência para Investimento (ARI) - os chamados vistos ‘gold' - instituída em 2012.

"É uma boa maneira de eles entrarem no mercado. É uma boa maneira de eles voltarem a atenção para Portugal", defende Pedro Aires de Abreu.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.