Portugal está "ainda muito longe de ter uma marca como a Zara"


 

lusa   Economia   20 de Mar de 2010, 12:59

Portugal está “ainda muito longe de ter uma marca como a Zara”, com projeção internacional, sustenta o diretor geral da Associação Têxtil de Vestuário de Portugal (ATP), acrescentando que “temos de ser comedidos” sobre isso.

“Podemos sonhar, não podemos é sonhar para amanhã”, reforçou Paulo Vaz, em declarações feitas à Agência Lusa.

Por estes dias, o Porto transformou-se na capital portuguesa da moda e acolhe o 26º Portugal Fashion, uma iniciativa da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários, desenvolvida em parceria com a ATP.

Estão presentes diversos estilistas consagrados, como Ana Salazar, Fátima Lopes e Felipe Oliveira Baptista, e a organização anuncia 18 desfiles, 15 individuais e três coletivos durante o evento, que começou esta sexta feira e termina domingo, na Alfândega do Porto.

Paulo Vaz refere que o Portugal Fashion “é essencialmente uma ação de imagem, visando promover a moda portuguesa e a sua criatividade”, numa altura em que já “há empresas nacionais que trabalham só para a moda e marcas também viradas só para a moda, pois já não têm indústria por trás”.

Mas nenhuma dessas marcas tem ainda dimensão global, como a Zara e outros gigantes do setor. “Não podemos sonhar que vamos ter marcas portuguesas que se vão lançar imediatamente no mercado internacional e que este se vai render a elas, até porque para isso é preciso uma grande capacidade financeira”, defende Paulo Vaz.

“As marcas portuguesas, com raras exceções, permanecem confinadas ao território nacional”, confirma o presidente da Comissão Executiva da ANJE, opinando que elas são vítimas uma “limitação forte, que é o nosso mercado ser muito pequeno e não dar a dimensão crítica necessária para depois poderem para saltar para outros mercados”.

“A nossa base é muito pequena, o que nos separa do desenvolvimento da moda em Espanha, onde as empresas começaram por dominar o mercado local, que era suficientemente grande para terem músculo e poderem saltar para outros países”, argumenta Manuel Teixeira, em conversa com a Lusa.

Há, porém, casos de sucesso. O mesmo responsável menciona a Salsa, que “está a fazer um trabalho notável”, a Throttlemann e a Red Oak, que são do mesmo grupo empresarial, a Peter Murray, com várias lojas em Espanha, e a Quebramar, que tem capital luso-espanhol, mas é “gerida por portugueses” e aposta forte no país vizinho.

Paulo Vaz concorda que estes são bons exemplos de marcas portuguesas que “têm feito um bom percurso” lá fora, mas ressalva que “até terem expressão internacional ainda vão ter que percorrer um grande caminho”.

“Isso leva muito tempo e exige muitos recursos”, insiste.

O diretor geral da ATP reforça a sua opinião referindo que “quando se pensa em ter uma presença forte em Espanha, com notoriedade, isso significa ter cem lojas. Imagine-se o que isso representa em custos financeiros”.

Paulo Vaz pensa que os grandes grupos económicos podem ter um papel importante apostando na moda. “Estamos a ver agora a Sonae apostar, com a Modalfa e a Zippy, e curiosamente temos o Grupo Amorim, que comprou 20 por cento da Tom Ford, o que são indicadores interessantes”.


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