Portugal entra na Academia Internacional de Astronáutica e “deve apostar na formação”


 

Luís Miguel Fonseca - Lusa / AO online   Nacional   2 de Out de 2011, 12:24

Portugal deve “apostar na formação superior em ciências espaciais”, defende Anna Guerman, que a partir de hoje é a primeira representante portuguesa na Academia Internacional de Astronáutica.

A professora russa da Universidade da Beira Interior (UBI), que prefere os cálculos de órbitas aos projetos vistosos, estuda o movimento de sistemas no espaço, nomeadamente a orientação, dinâmica e controlo de satélites.

A partir de hoje passa a ser um dos 1244 membros da Academia Internacional de Astronáutica (ou IAA - International Academy of Astronautics), por proposta de outros três cientistas da instituição.

A cerimónia de posse como membro correspondente decorre durante as comemorações do Dia da Academia Internacional de Astronáutica, na Cidade do Cabo, África do Sul.

Portugal está entre os sete novos países a tomar assento na academia nos últimos três anos, ao lado de Iraque, Estónia, Letónia, Líbia, Vietname e Quirguistão.

Para a cientista, “é uma boa oportunidade de mostrar que esta ciência está a ser desenvolvida em Portugal e os exemplos são muitos”, destaca.

Anna Guerman realça o papel de empresas como a Critical Software e a Edisoft, entre outras, por exportarem aplicações e conhecimento para agências espaciais e coordenarem projetos europeus.

Destaca também várias instituições de ensino superior que “contribuem com cálculos” para futuras aventuras no espaço.

Apesar de tudo, Portugal ainda não tinha uma voz na Academia Internacional de Astronáutica, junto dos principais entendidos em ciências espaciais, “e isso não estava certo”, justifica Anna Guerman.

A professora da UBI diz que os portugueses deviam ter melhor noção do sucesso luso no setor.

No entanto, reconhece que “o acesso aos recursos é cada vez mais difícil e não se sabe se há vontade de [o país] apostar” nas ciências espaciais.

Para Guerman não há dúvidas: face aos casos de sucesso, Portugal devia apostar, desde logo, “formando recursos humanos” na área.

“Temos capacidade para isso e temos que criar condições para que quem vai estudar para fora, regresse. Mas isso requer algum investimento”, defendeu.

Ou seja, “o espaço é uma boa aposta, resta saber se existe essa vontade”.

No meio académico, Ana Guerman demarca-se de projetos “vistosos” e prefere valorizar “o conhecimento e a cooperação internacional”, de maneira a que Portugal amplie a capacidade que já tem de contribuir para futuras missões no espaço.

Ana Guerman gosta de sublinhar que só precisa de papel, lápis, um computador e algumas experiências laboratoriais para trabalhar, mas não descarta a necessidade de “captar atenção mediática” para mostrar a utilidade dos cálculos que lhe passam pelas mãos.

Na vida diária, “quase toda a gente tem telemóveis, GPS, televisão e não se apercebe que depende tudo de satélites, ou que houve muitos avanços em medicina ligados a experiências no espaço”, destaca.

Anna Guerman nasceu na Rússia, onde se doutorou e trabalhou na Universidade Técnica de Moscovo, antes de se mudar para a Covilhã na década de 1990.

Hoje coordena o Centro Tecnológico de Ciência Aeroespacial da Universidade da Beira Interior, um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, e dá aulas de Mecânica Aplicada, Bases Físicas do Design e Dinâmica dos Sistemas Mecânicos.


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