Portugal é o terceiro da UE com mais filhos únicos e está entre os que tem mais idosos


 

Lusa/AO Online   Nacional   8 de Jul de 2015, 07:46

Portugal é o terceiro país da União Europeia (UE) com mais filhos únicos e está entre os países com mais idosos, segundo o estudo Três Décadas de Portugal Europeu.

O trabalho coordenado por Augusto Mateus e encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, revela que entre 1986 e 2013, Portugal passou de um extremo ao outro na generalidade dos 'rankings' de envelhecimento da UE, superando a média comunitária e aproximando-se de países como Alemanha, Itália, Espanha, Grécia ou Bulgária.

Em 1986, o país contava com 23% de jovens e 12% de idosos, mas hoje menos de 15% são jovens e os idosos, que viram a sua esperança média de vida aumentar seis anos e meio nos últimos 28 anos, representam já um quinto da população.

Em 2013 era o quinto Estado-membro com mais idosos por cada jovem.

A despesa com pensões de velhice e sobrevivência acompanhou esta tendência, passando de 40% em 1990 para 55% do total de prestações sociais em 2012, num total de 14% do PIB.

Entre 1986 e 2013, a taxa de mortalidade manteve-se em torno dos dez óbitos por mil habitantes, mas a taxa de natalidade caiu de 12 para menos de oito nascimentos por mil habitantes.

No que diz respeito à maternidade, Portugal ultrapassou a barreira dos 30 anos na idade da mãe aquando do nascimento do primeiro filho, que é também, cada vez mais, o único.

Portugal é o terceiro Estado-membro no ‘ranking’ dos filhos únicos, mas cai para 25.º lugar entre os países com dois filhos e desce para o 27.º entre os que têm agregados familiares com três ou mais filhos.

Mesmo assim, Portugal é o oitavo Estado-membro na proporção de agregados com filhos, ficando acima da média europeia.

Desde a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), a dimensão média das famílias portuguesas desceu de 3,3 para 2,6 pessoas, com os efeitos da crise a refletirem-se também nos comportamentos das estruturas familiares: em 2013, o número de casais com filhos recuou ao nível da crise de 1993 e as famílias monoparentais caíram, pela primeira vez, desde 2003.

“A degradação do mercado de trabalho e as implicações em termos salariais têm sido determinantes nesta evolução”, destaca o mesmo documento, salientando que “na última década, Portugal foi o país em que o peso das remunerações líquidas no rendimento disponível das famílias mais caiu”.

Portugal passou assim do 14.º lugar entre os países com um peso salarial mais elevado, que ocupava em¬ 2002, para a posição de quarto valor mais reduzido, em 2013.

Entre 1999 e 2008, os passivos das famílias cresceram três vezes mais do que os ativos (170% contra 50%), o que se traduziu numa diminuição do património financeiro de 250% para 150% do rendimento disponível, enquanto a nível europeu permaneceu acima dos 220%.

No decorrer da integração europeia, as famílias portuguesas reduziram a sua propensão a poupar e a taxa de poupança reduziu-se de 12,5% em 1995 para 10% em 2013, enquanto o nível de endividamento aumentou de 35% para 118% do rendimento disponível.

Entre 1999 e 2009, num período de crescente endividamento europeu em que só a Alemanha foi exceção, o aumento do peso da dívida no rendimento das famílias portuguesas foi superior a 50 pontos percentuais, cerca de duas vezes mais intenso que o padrão europeu.


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