Portugal é dos países europeus que menos integra doentes mentais


 

Lusa/AO online   Regional   9 de Out de 2014, 18:26

Portugal é dos países da Europa que menos integra, na sociedade e no trabalho, pessoas com doenças mentais, indica um estudo comparativo sobre a matéria que juntou 30 países europeus.

No trabalho, sobre Saúde Mental e Integração, Portugal aparece em 27.º lugar, só à frente da Grécia, Roménia e Bulgária. A Alemanha surge como o país que melhor integra as pessoas com deficiência, seguida do Reino Unido, Dinamarca e Noruega.

Da responsabilidade da Intelligence Unit da revista The Economist, e divulgado a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental (que se assinala na sexta-feira), o estudo analisa dados como a ajuda médica dispensada a pessoas que vivem com doença mental, as oportunidades de trabalho ou os esforços para combater o estigma.

Os especialistas que analisaram os 30 países (os 28 da União Europeia mais a Noruega e a Suíça) recomendam que se produza mais informação sobre a saúde mental, que esta área receba mais financiamentos e que se dê mais atenção ao emprego das pessoas que sofrem de alguma patologia.

Citando especialistas, diz-se no trabalho que na União Europeia 165 milhões de pessoas são em cada ano afetadas em algum momento por alguma doença mental, dos quais apenas um quarto recebe algum tratamento e só 10 por cento tem um tratamento considerado adequado.

Apesar de reconhecerem que há “muitos exemplos de boas práticas” por toda a Europa os autores do estudo (encomendado por uma empresa farmacêutica) sublinham que há ainda “um longo caminho a percorrer até que as pessoas com doenças mentais sejam apoiadas de forma adequada e sejam verdadeiramente integradas nas suas comunidades”.

As doenças mentais representam elevados custos humanos e económicos para a Europa, começa por avançar o estudo, que cita a Organização Mundial de Saúde (OMS) para dizer que em 2012 cerca de 12 por cento dos anos perdidos por incapacidades advinha de doenças mentais, as mesmas que afetavam o PIB da Europa em 3 a 4 por cento.

O continente – adianta o documento – viu mudar nas últimas décadas a perceção sobre a melhor forma de tratar as doenças mentais, afastando-se a ideia do hospital como centro para se optar pelo tratamento na comunidade.

Ainda assim a Europa como um todo “está ainda no início” de uma rede de cuidados centrada na comunidade. Dos 30 países há 16 nos quais há mais pessoas que recebem tratamento em longas estadas nos hospitais ou em instituições do que na comunidade onde residem.

E dos 30 países, diz-se no documento, apenas oito têm programas de cooperação entre o departamento responsável pela saúde mental e as áreas da educação, emprego, habitação, assistência social, proteção à criança e ao idoso, e justiça criminal.

Baseado em recolha de dados e em entrevistas o estudo cita os indivíduos ouvidos para dizer que o emprego é a maior preocupação das pessoas (e suas famílias) que vivem com alguma doença mental, mas que é também a área “com as políticas mais inconsistentes em toda a Europa”.

Por outro lado apenas em 14 dos 30 países há uma política de apoio às famílias dos portadores de doença, ainda que a família tenha “um papel fundamental”


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