Pôr em causa as vacinas é como discutir se a Terra é redonda

Pôr em causa as vacinas é como discutir se a Terra é redonda

 

Lusa/AO online   Nacional   8 de Set de 2017, 10:47

O pediatra Mário Cordeiro defende que pôr em causa as vacinas é como discutir se a Terra é redonda ou se o Sol anda à volta da Terra.


“A Verdade e a Mentira das Vacinas” é o novo livro do médico, que chega hoje às bancas, e através do qual Mário Cordeiro tenta esclarecer pais e educadores sobre as vacinas como “meio mais eficaz, eficiente e de maior impacto na saúde pública”.

“Parece tão evidente e é tão evidente que custa a acreditar ser necessário um livro para nos dizer uma coisa que se resume em meia dúzia de palavras”, assume o autor.

Graças às vacinas, há milhões de pessoas que estão vivas e centenas de milhões que não adoeceram com patologias graves.

Em entrevista à agência Lusa, Mário Cordeiro diz que há uma mensagem simples e resumida que deve ser fixada por todos: “não se morre de vacinas, morre-se de doenças”.

O novo livro do médico surge cerca de seis meses depois de Portugal ter visto começar um surto de sarampo, doença evitável pela vacinação e que acabou por levar à morte de uma jovem de 17 anos.

O pediatra considera que o surto não assumiu proporções demasiado graves porque o país está “blindado por décadas de elevadas taxas de vacinação”.

O facto de, graças às vacinas, as doenças terem começado a desaparecer da memória das pessoas pode ser uma das explicações para que alguns tenham baixado a guarda ou tenham começado a considerar a vacinação como opcional.

“Há 30 anos, quando o sarampo matava, e não era pouco, as pessoas estavam conscientes da gravidade do sarampo”, lembra o autor, que diz que “não se podem abrir brechas ou esmorecer”, sob pena de as doenças voltarem.

Numa lista de “12 mitos perigosos que é preciso desfazer”, Mário Cordeiro inclui os efeitos secundários das vacinas, frisando que são produtos “extraordinariamente seguros”, mais seguros ainda que os medicamentos em geral.

As “teorias da conspiração” são outro inimigo das vacinas. Ao pediatra chegam argumentos de que os ministérios da Saúde estão “feitos com as multinacionais” farmacêuticas e até insinuações de que os laboratórios disseminam as doenças para venderem vacinas.

O pediatra recorda que nos séculos XIII, XIV, XV e XVI houve epidemias de peste negra, tuberculose ou sífilis e “não consta que houvesse multinacionais”.

Mas “claro que uma multinacional que fabrica vacinas quer recuperar o investimento de milhões que fez”, admite o pediatra, lembrando que as vacinas são inovação e levam várias décadas a ser desenvolvidas.

Um dos “mitos perigosos” propagados desde a década de 1990 é a ligação das vacinas ao autismo. No livro, o autor frisa que o suposto estudo que surgiu em 1998 era “uma fraude”, tendo o seu autor acabado por ser obrigado a retratar-se e a deixar de exercer medicina.

Outro caso foi o de um médico que forjou os resultados de um pretenso estudo que relacionava a vacina contra o sarampo e rubéola com o autismo. O suposto estudo chegou a ser publicado na revista científica Lancet, mas um jornalista acabou por descobrir que “tudo era mentira” e o médico acabou igualmente retirado da Ordem.

“Mas o mal estava feito”, reconhece Mário Cordeiro, a quem chegam ainda argumentos ou receios de uma ligação das vacinas a casos de autismo.

Na obra que esta semana chega às livrarias, o médico explica ainda o esquema vacinal do Programa Nacional de Vacinação, mas não esquece as doenças cujas vacinas ainda não são gratuitas, como a varicela, meningite B, rotavírus ou hepatite A.

Mário Cordeiro continua a não defender a obrigatoriedade das vacinas por acreditar que para continuar a ter elevadas taxas de imunização é suficiente explicar toda a realidade aos pais e fazer campanhas esclarecedoras. Crê ainda que ao obrigar não se ganha eficácia, podendo potenciar reações aos que “são do contra”.

Para o pediatra, as vacinas são “uma manifestação de amor” e podem ser também um “presente para toda a vida”.



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