População protesta na rua contra fecho de agência da Caixa Geral de Depósitos


 

LUSA/AO Online   Economia   25 de Abr de 2017, 18:18

Habitantes de Silvares, concelho do Fundão, manifestaram-se hoje contra a decisão de fechar a agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) naquela localidade e exigiram a manutenção deste serviço público.

O protesto foi realizado hoje devido ao simbolismo do dia e decorreu junto desta agência do distrito de Castelo Branco, cujo encerramento está marcado para dia 02 de maio. Além da população da vila, estiveram presentes habitantes de freguesias vizinhas, nomeadamente do couto mineiro, bem como representantes sindicais, autarcas e políticos de diferentes cores políticas dos concelhos do Fundão e Covilhã, que se uniram numa manifestação em que foi exigida a intervenção do Governo e do Presidente da República. “Peço encarecidamente ao Senhor Presidente da República que exerça o seu magistério de influência”, afirmou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, apelando também à intervenção da tutela e de todos os órgãos de soberania. Num discurso duro, em que classificou este encerramento como “absurdo”, “admissível”, “funesto” e “hipócrita”, o autarca também criticou a “falta de transparência do processo” e a “clara inexistência de critérios”. Paulo Fernandes considerou ainda “vergonhoso” que o encerramento esteja a ser comunicado aos clientes como uma forma de melhorar serviço: “Mas estão a gozar connosco? Onde é que isto já se viu?”. No dia em que se comemora o 25 de Abril, a indignação subiu de tom e abarcou as medidas alternativas que estarão a ser ponderadas, tais como a possibilidade de criar uma fila apenas para os clientes desta faixa do território. “Já só faltava termos de levar uma cruzinha, isto no século XXI das liberdades e garantias”, acrescentou Paulo Fernandes. De acordo com os dados transmitidos aos autarcas, este balcão, que tem apenas dois funcionários, representa mais de 30 milhões de euros em depósitos e cinco milhões em empréstimos. “Ou seja, aqui a CGD é lucrativa, mas é para fechar. Isto não pode ser. Por isso temos de nos unir”, sublinhou a presidente da Junta de Freguesia de Silvares, Carina Baptista. Presente no protesto, a presidente da Junta de Freguesia de Aldeia de São Francisco, concelho da Covilhã, Joana Campos, lembrou que o encerramento também “penaliza largamente” toda a população do couto mineiro, tendo por isso garantido que aquela zona vai manter-se na luta. A única solução que a população aceita é o da manutenção desta agência; caso contrário, há quem prometa deixar de trabalhar com o banco público. “Isto não tem jeito nenhum e se não recuarem, mudo o meu dinheiro para a Caixa de Crédito Agrícola e nunca mais vou à CGD”, afirmou, Joaquim Pires, 81 anos. Elvira Gomes, 85 anos, também não esconde a revolta com uma decisão que a deixa sem saber o que fazer na hora em que precisar de levantar a reforma. “Eu nunca conduzi e o meu marido tem problemas cardíacos e mal pode andar. Por isso, não podemos ir ao Fundão, como é que vamos fazer? Isto assim está muito mal”, referiu. Emigrante na Suíça durante 24 anos, Maria Nunes, 57 anos, regressou recentemente à terra natal e não deixa de lhe parecer “irónico” que tal coincida com o momento em que a CGD se prepara para fazer o contrário. “Estão a contribuir para desertificar o interior, mas por opção própria. Isto não se compreende e certamente que se [este balcão] fechar eu também vou encerrar a minha conta na CGD”, apontou.


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