População pede espaços verdes e esplanadas nas zonas que vão ser desafectadas do Porto de Lisboa

População pede espaços verdes e esplanadas nas zonas que vão ser desafectadas do Porto de Lisboa

 

Lusa / AO online   Economia   13 de Jun de 2010, 13:18

Espaços verdes e esplanadas são algumas das obras que a população gostaria de ver nas zonas que vão ser desafectadas do Porto de Lisboa e que passam a estar sob a jurisdição da Câmara de Lisboa.

O Porto de Lisboa e a autarquia assinam na segunda feira a passagem de 30 hectares de áreas ribeirinhas para a jurisdição do município, iniciando também o diálogo para a transferência de Pedrouços, Santos e Poço do Bispo.

No caso das zonas do Cais do Sodré, Ribeira das Naus, Matinha, envolventes da Torre de Belém, Cordoaria/Junqueira e Padrão dos Descobrimentos, que totalizam 30 hectares e não têm utilização portuária, o município vai já tomar a sua posse através de um auto de transferência e terá de pagar 14,5 milhões de euros à Administração do Porto de Lisboa.

Em Pedrouços, entre Algés e Belém, alguns locais disseram à agência Lusa que gostavam que aquele espaço fosse dedicado ao lazer e ao usufruto da população.

“O que faz falta aqui são zonas verdes: parques para as crianças brincarem, espaços para a terceira idade passar a tarde”, disse Fernando Rodrigues, com 72 anos.

Para o habitante em Algés, por outro lado, seria de construir naquela zona, próxima de Algés, uma área de estacionamento: “Aqui as pessoas estacionam o carro em cima dos passeios e das passadeiras. Quem tem mais dificuldades a andar ou quem tem um carrinho de bebé não consegue passar”, disse.

Também António Calisto, com 52 anos, gostaria que Pedrouços passasse a ser um espaço de “actividades para a juventude”, para as “pessoas passearem” e conviverem.

"Mas convívio também para idosos, um espaço onde possam passar a tarde, jogar às cartas, passar ao ar livre o tempo que lhes sobra", disse.

Igualmente para Sara Santos, com 44 anos, em Pedrouços faz falta uma “área de lazer, com algum comércio, para dar vida à zona”.

“Cafés, restaurantes e esplanadas, como fizeram nas Docas de Alcântara ou na Marina de Oeiras. E porque não um Passeio Marítimo em toda a frente ribeirinha do Tejo?”, afirmou.

Mesmo em Santos, numa zona já com alguns restaurantes e bares, os pedidos são os mesmos: lazer, esplanadas… e sol.

“Esplanadas, jardins… mas tem de estar sol senão não dá para aproveitar nada. Era uma boa ideia prolongar as Docas de Alcântara até aqui”, riu-se, junto à estação ferroviária de Santos, Solange Candeias, com 35 anos.

No entanto, há quem tenha medo que a desafetação dos terrenos transforme aquele espaço num “depósito” de contentores portuários: “Mais contentores e armazéns e fábricas é que não. Espero que não façam mais disso. Já basta Alcântara”, disse Clara Vasconcelos, de 43 anos.

E há ainda também quem prefira o espaço assim: “Até gosto como está”, disse Carlos Correia, de 32 anos, enquanto esperava pelo comboio em Santos.

Quanto ao que construir na zona do Poço do Bispo, as ideias da população variam, perante o número de pessoas sem-abrigo que se juntam naquela zona.

“Ali era bom construir uma casa para as pessoas que precisam: Há ai muita gente a passar fome, há ai muita gente a dormir na rua e que precisa de ajuda. Bom, era construir um centro de apoio as pessoas sem-abrigo”, sugeriu à Lusa Vítor Cerveira, de 45 anos, ele próprio um antigo sem-abrigo.

A assinatura dos documentos que oficializam a passagem de mais de 30 hectares da frente ribeirinha do Tejo para a jurisdição da Câmara de Lisboa decorre na Gare Marítima de Alcântara, na presença do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, de António Costa e da presidente da Administração do Porto de Lisboa, Natércia Cabral.


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