População da rede de cuidados continuados é envelhecida, dependente e carenciada


 

Lusa/AO Online   Nacional   21 de Nov de 2014, 06:49

Idosos carenciados, maioritariamente mulheres, com baixa escolaridade e elevada incapacidade e dependência são o retrato da população da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) na região sul do país, segundo um estudo da Ordem dos Enfermeiros.

 

O estudo da Secção Regional Sul da Ordem dos Enfermeiros (OE) visou caracterizar as 117 unidades de internamento da rede na região sul do país, descrever a sua população e as equipas de enfermagem.

Do total das 117 unidades, 44 aceitaram participar no estudo, tendo a amostra envolvido 1.049 pessoas internadas, com uma média de idades de 74 anos.

Mais de metade (57%) das pessoas internadas na rede têm dependência total e 40% uma dependência leve, moderada ou severa, disse à agência Lusa o presidente da secção regional sul da Ordem dos Enfermeiros, Alexandre Tomás.

Estes dados demonstram que 97% da população que hoje está na rede tem um nível de dependência efetiva para as atividades diárias, adiantou o enfermeiro.

Para Alexandre Tomás, esta realidade “exige um conjunto de cuidados de saúde” e o “reforço de equipas com enfermeiros e enfermeiros especialistas para prevenir um conjunto de complicações e promover a recuperação destas pessoas”.

Observou ainda que 70% das pessoas que estão internadas nestas unidades “têm risco de queda”, o que obriga ao acompanhamento permanente destes doentes.

Quarenta por cento dos utentes têm mais do que uma doença. Destes, 10% têm mais de três patologias, o que significa “uma enorme necessidade em cuidados de enfermagem”, sublinha o estudo.

Nas 44 unidades trabalham 452 enfermeiros, faltando 659 para assegurar os cuidados. Esta situação leva a que os enfermeiros que trabalham nestes equipamentos tenham “um volume de trabalho muito significativo”, disse Alexandre Tomás.

“Não só fazem mais horas, como a necessidade de cada uma das pessoas que está internada coloca uma pressão muito grande no trabalho do enfermeiro”, sublinhou.

Advertiu que esta carga de trabalho pode condicionar a segurança das intervenções e, sobretudo, os processos de recuperação da saúde destas pessoas.

“Há um limiar de segurança que os enfermeiros asseguram, mas há um conjunto de atividades que deviam ser desenvolvidas e não são porque não há recursos disponíveis”, lamentou.

O estudo refere que “o reforço de recursos humanos permitiria também o desenvolvimento de projetos na capacitação de cuidadores para uma melhor preparação da alta e assim evitar reinternamentos, agudizações das doenças crónicas e também perdas de capacidades das pessoas com alta destas unidades”.

As 117 unidades de internamento da RNCCI da região sul dão resposta a 4,4 milhões de habitantes, sendo que 851.694 habitantes têm mais de 65 anos, representando 19,2% da população.


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