Poluição aumenta na região oeste da China

Poluição aumenta na região oeste da China

 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Abr de 2016, 15:31

As cinco cidades com mais elevados níveis de concentração de partículas PM2.5 - as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões - por metro cúbico, estão todas na Região Autónoma de Xinjiang, no extremo oeste do país.

Os níveis de poluição atmosférica na região oeste da China subiram nos primeiros três meses do ano, enquanto a maioria das cidades do país ficaram aquém dos padrões nacionais, segundo um relatório hoje divulgado pela Greenpeace.

O uso de carvão como fonte de energia é generalizado e emissões da indústria pesada cobrem regularmente as cidades chinesas num espesso manto de poluição.

Segundo a organização ambientalista Greenpeace, as políticas adotadas por Pequim conseguiram efetivamente alocar parte da poluição das cidades costeiras para outras áreas do país.

Pequim "decretou várias normas para limitar a poluição no leste do país que tiveram o efeito indesejável de aumentar o investimento das indústrias mais poluentes nas áreas do centro e oeste, que não estão sujeitas ao mesmo controlo", lê-se no relatório.

 

Com uma área quase 18 vezes superior à de Portugal, Xinjiang é palco de frequentes conflitos étnicos entre chineses da minoria étnica muçulmana Uigur e a maioria Han.

A cidade mais poluída foi Kashgar, com uma média de 276,1 microgramas por metro cúbico, entre janeiro e março, num acréscimo de 99% face ao mesmo período do ano passado.

É um valor 27 vezes superior à média anual máxima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 25 microgramas por metro cúbico.

Em Hotan, outra cidade da região de Xinjiang, o nível médio de concentração de partículas PM2.5 disparou 49%, em termos homólogos.

Já em Pequim os níveis recuaram 27%, para 67,7 microgramas por metro cúbico, enquanto em Xangai, "capital" económica do país, caíram 12% para 60 microgramas.

No ano passado, 75% das novas licenças para centrais de produção elétrica a carvão na China foram concedidas nas regiões centro e oeste do país, de acordo com dados do ministério de Proteção Ambiental.

A poluição está associada a centenas de milhares de mortes prematuras na China e tornou-se nos últimos anos fonte de descontentamento popular, junto com a corrupção e desigualdade.

Entre as 362 cidades testadas pela Greenpeace, o nível médio de concentração de partículas PM2.5 fixou-se nos 60,7 microgramas por metro cúbico e 310 cidades excederam o padrão de qualidade nacional, fixado em 35 microgramas por metro cúbico.


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