Política russa e tratado comercial UE/EUA podem relançar importância dos Açores

Política russa e tratado comercial UE/EUA podem relançar importância dos Açores

 

Lusa / AO online   Regional   29 de Nov de 2014, 11:24

O especialista em relações internacionais Tiago Moreira de Sá defendeu ontem que a nova política externa russa e o tratado comercial UE/EUA, em negociação, poderão relançar a importância geoestratégica dos Açores, mas de forma diferente à que teve no passado.

 

“No ‘ranking’, tal e qual como existia antes, não, e o perfil também será necessariamente diferente”, declarou à agência Lusa o especialista de história das relações internacionais no período contemporâneo, a propósito dos 70 anos do primeiro acordo luso-americano, de 28 de novembro de 1944, que permitiu aos EUA gozarem de facilidades militares em Santa Maria, nos Açores.

Tiago Moreira de Sá, que pertence ao Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), apontou que, em 2003, com a intervenção militar dos EUA no Iraque, a Base das Lajes, na ilha Terceira, voltou a ter "uma importância no contexto desta operação”.

Por outro lado, referiu que existem desenvolvimentos atuais, cujos contornos são ainda desconhecidos, como a “nova assertividade russa” na Ucrânia e noutras geografias, com que Moscovo visa recuperar influência na antiga Europa do Leste.

Esta nova realidade, sublinha, “pode alterar o cenário geoestratégico significativamente, a prazo”, voltando o Atlântico e a Europa a recuperar importância para os EUA.

“Num outro contexto, há sinais importantes de reaproximação entre os dois lados do Atlântico, por exemplo, ao nível comercial, com a parceria transatlântica de comércio e investimento, voltando a puxar a Europa para o Atlântico e, de certa forma, também os EUA, numa altura em que o velho continente está a deslocar-se para o centro”, declarou.

Sublinhando que os EUA se estavam a virar para o Pacífico, Tiago Moreira de Sá acredita que esta realidade se está a alterar por razões geoestratégicas e geopolíticas, em particular devido à nova política externa russa, e por razões económicas, face à necessidade do Ocidente reagir à agressividade económica de países como a China, Índia e Brasil.

Tiago Moreira de Sá considera que o acordo bilateral celebrado entre Portugal e os EUA em 1944 foi de uma “importância enorme” e começou a desenhar-se no final da segunda guerra mundial.

O acordo marcou também uma “mudança de política” por parte de Portugal, disse o investigador, destacando a posição “bastante importante” das ilhas dos Açores, em particular da base naval e aérea em Santa Maria que, de acordo com um estudo do comando norte-americano, foi considerada, na altura, uma “base essencial”, ou seja, de “primeira ordem de grandeza”.

Questionado sobre a relevância do acordo bilateral hoje, Tiago Moreira de Sá destacou que este é "um período de transição”, com resultado “relativamente incerto”.

“Até recentemente, este acordo tem sido o coração do relacionamento entre Portugal e os EUA”, frisou, para acentuar que os Açores estiveram na génese do convite a Portugal para integrar a NATO, bem como do interesse norte-americano na revolução do 25 de Abril.

Após a sua passagem por Santa Maria, os norte-americanos instalaram-se, até hoje, na Base das Lajes, na ilha Terceira, no âmbito de um acordo bilateral que foi sempre renovado ao longo de décadas.

A dimensão da presença militar dos EUA nas Lajes está neste momento a ser reequacionada pelas autoridades norte-americana.

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