Poesia completa de Antero de Quental publicada este ano em três volumes

Poesia completa de Antero de Quental publicada este ano em três volumes

 

Lusa/AOOnline   Regional   27 de Fev de 2017, 10:56

A poesia completa de Antero de Quental vai ser publicada este ano numa edição crítica que pretende fazer uma "limpeza" aos poemas, restituindo a vontade do autor, disse à agência Lusa o professor universitário Luiz Fagundes Duarte.

 

“Às vezes os tipógrafos enganam-se, introduzem uma palavra, alteram e isso vai ficando de edição para edição”, explicou Luiz Fagundes Duarte à agência Lusa, acrescentando que as edições críticas, em três volumes, servem para fazer “uma limpeza aos textos, retirando tudo aquilo que eventualmente foi acrescentado”.

O primeiro volume, que reúne poesia da juventude de Antero de Quental (Ponta Delgada, 1842-1891), é apresentado na quinta-feira, pelas 18:00 locais (mais uma hora em Lisboa), no Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, Açores, durante uma iniciativa da Associação Daniel da Sá.

Luiz Fagundes Duarte adiantou que este primeiro volume contém os poemas dos livros “Odes Modernas” e “Primaveras Românticas”.

O professor de Filologia na Universidade Nova de Lisboa e antigo secretário da Educação e Cultura nos Açores referiu que o segundo volume, que reúne 129 sonetos, mais as traduções feitas por amigos do poeta açoriano para alemão, italiano, francês e espanhol, deverá ser apresentado em maio.

Quanto ao terceiro volume, está previsto ser apresentado em setembro ou outubro, contemplando sonetos relativos à “fase madura do poeta até à sua morte, que são mais filosóficos e introspetivos”.

“Esta edição crítica serve tanto para um público normal, que quer ler apenas a poesia, como também para o público especializado, pois tem lá informação para depois fazerem os seus estudos literários”, considerou Luiz Fagundes Duarte, que já publicou edições críticas sobre a obra completa de Vitorino Nemésio e Eça de Queirós, entre outros.

Segundo o docente, cuja tese de doutoramento foi sobre Eça de Queirós, as edições críticas apresentam a última versão dos autores, mas também é dada informação ao leitor sobre outras versões do mesmo texto que possam ter sido publicadas.

“Antero de Quental é um dos grandes poetas e intelectuais da história cultural portuguesa. É um poeta importante que tem sido publicado esparsamente. Muitas vezes as edições que circulam não são propriamente fiéis àquilo que ele escreveu”, sustentou o autor, admitindo que o poeta açoriano “continua a despertar interesse, embora esteja um pouco esquecido”.

Para Fagundes Duarte, natural da ilha Terceira, “toda a gente conhece Antero de Quental, fala dele, mas pouca gente o lê”, confessando que gostaria de ver nas escolas mais trabalho sobre os poemas deste autor.

Antero Tarquínio de Quental nasceu no seio de uma família ilustre em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, há 175 anos.

Poeta, filósofo e agitador político, foi considerado um dos grandes sonetistas da literatura portuguesa, tendo publicado a sua primeira obra, intitulada “Sonetos de Antero”, em 1861.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, trabalhou numa tipografia, fundou o jornal “A República” e, com Eça de Queirós, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão, organizou uma série de conferências democráticas conhecidas como “Cenáculo”, no Casino Lisbonense, que acabou fechado por decreto real.

 


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