Ribeira Grande

“Podemos captar mais investimento e de uma forma descentralizada”

“Podemos captar mais investimento e de uma forma descentralizada”

 

Cristina Pires/Ana Carvalho Melo   Regional   17 de Set de 2017, 15:29

Alexandre Gaudêncio. Recandidato pelo PSD à Câmara da Ribeira Grande destaca trabalho feito para pôr a cidade no “mapa das cidades da Região”, realçando que existem obras estruturais que necessitam de mais tempo para serem concluídas


Porque decidiu se recandidatar?
A minha recandidatura tem a ver, por um lado, com o sentimento de dever cumprido, mas também porque existe uma série de objetivos que achamos que merecem ser cumpridos. São um conjunto de ações que temos planeado, as quais achámos que não é possível concretizar em quatro anos. Falo dos grandes desígnios como o virar a cidade para o mar que já teve início, mas ainda não está concluído, falo de outros projetos estruturantes para a cidade como o saneamento básico e a limpeza da orla marítima que agora dão os primeiros passos.

Com que dificuldades se deparou assim que assumiu o lugar de presidente da Câmara?
Em 2013, a Região e o país, em particular, viviam uma grave crise económica que também estava refletida na sociedade da Ribeira Grande, em que o desemprego se sentia com mais enfoque num concelho altamente industrializado, principalmente no setor da construção civil.
O grande impacto que tivemos desde a primeira hora foi a questão do desemprego e a situação aflitiva que muitas famílias ribeira-grandenses estavam a atravessar.
Outro impacto foi um problema interno da autarquia, com um passivo financeiro bastante angustiante. Nós tínhamos cerca de 30 milhões de euros de passivo consolidado, englobando a participação que a autarquia tinha na empresa municipal.
Outra novidade foi a situação da escola profissional da Ribeira Grande, que vivia à base de uma fundação, que teria de ser extinta, o que punha em risco o ensino profissional na Ribeira Grande (…).
Com muito orgulho estamos a terminar este mandato passando de um passivo financeiro que rondava os 30 milhões de euros para um passivo financeiro a rondar os dez milhões, o que significa uma redução de cerca de 70 por cento.

Ainda assim, a situação financeira da autarquia impediu-o de proceder a alguns investimentos no concelho?
O que me impediu, e isto aconteceu de forma transversal na Região e no país, foi o atraso dos fundos comunitários.
O quadro comunitário de apoio 2014-2020 que deveria estar de vento em popa, não está a andar ao ritmo que se previa em pleno ano de 2017. Isso fez com que uma quantidade de investimentos previstos ainda não tivessem o respetivo financiamento, (...) o que fez com que houvesse atraso nos investimentos.

Estamos a falar de que investimentos em concreto?
Toda a requalificação da orla marítima. O que fizemos, entretanto, e sabendo que os fundos estão atrasados, foi um endividamento na banca à espera que os fundos sejam aprovados.
Estamos também a falar de equipamentos como o saneamento básico e de três ou quatro obras estruturantes, como a requalificação do mercado municipal e de algumas praças e zonas verdes do concelho.

O projeto que idealizou para os próximos quatro anos assenta em quatro pilares: apoio social, dinamização da economia local, turismo e emprego. No apoio social, o que está previsto, se vencer as eleições de 1 de outubro?
A nossa grande preocupação tem a ver com o emprego: tentar combater o desemprego no concelho da Ribeira Grande. Isto é uma tarefa que não depende apenas da autarquia, mas de um conjunto de fatores. No entanto, a autarquia deve tentar vislumbrar luz ao fundo do túnel relativamente ao desemprego.
Quanto à parte social, por um lado queremos continuar a apoiar as famílias carenciadas do concelho, seja através do programa de habitação degradada, seja através do Fundo de Emergência Social que foi criado durante este mandato.
O programa de habitação degradada foi fechado pelo anterior executivo e nós reabrimo-lo.
Em quatro anos investimos quase 600 mil euros, tanto num programa como noutro.
Mas temos outra novidade [para o próximo mandato] que é dinamizar o emprego no setor da economia social. Isto significa que queremos entregar às IPSS do concelho o montante financeiro correspondente para irem buscar pessoas ao Centro de Emprego. De uma forma geral, estamos a tentar incentivar as 14 IPSS do concelho a irem buscar pessoas ao Centro de Emprego, através de programas de emprego, e a componente que não é comparticipada a autarquia tenderá a chegar a um valor que seja sinónimo dessa diferença.
Isto permitirá que o setor da economia social possa absorver jovens desempregados qualificados.

Estamos a falar de que montante?
Um valor a rondar entre os 125 a 150 mil euros no orçamento camarário (...).
Os seus opositores, PS e BE, nomeadamente, dizem que investiu mais em eventos e animação turística do que no apoio social. Como reage a esta crítica?
Causa-me alguma estranheza, porque foi precisamente nos mandatos do Partido Socialista que o apoio social foi quase nulo e digo-o com dados concretos: o programa de apoio à habitação degradada foi fechado pelo antigo executivo camarário. Foi este executivo que reabriu o programa de apoio à habitação degradada. Por outro lado, foi este executivo que abriu o Fundo de Emergência Social que tem servido para apoiar famílias em grave carência económica (…).
Mas também achamos que, para tentar dinamizar a economia do concelho era preciso investir em eventos e em fatores que pudessem atrair pessoas à Ribeira Grande. Julgamos que a Ribeira Grande com esta dinâmica ganhou um lugar no mapa das cidades da Região. Temos um potencial enorme enquanto concelho a nível dos recursos, mas também em atividades que possam atrair as pessoas, daí termos feito um forte investimento em eventos.
Estamos de consciência tranquila, porque sabemos que estes eventos trazem retorno económico direto para a economia local. (…) Esta aposta teve a ver com o Plano Estratégico de Turismo que apontava que a grande lacuna da Ribeira Grande era precisamente a falta de atrativos para que as pessoas ficassem mais tempo no concelho.(...)
Neste momento, temos os maiores investimentos turísticos da Região, o que revela que a estratégia montada resultou e só podemos ficar contentes relativamente a esse aspeto.

Ao nível da captação de investimento que está previsto fazer?
Na captação do investimento privado, nós achamos que a Ribeira Grande ainda pode dar um passo maior. Já deram entrada na autarquia projetos para duas grandes unidades hoteleiras - uma de 16 milhões de euros de investimento privado e outra de cinco milhões de euros de investimento - que vão fazer com que o mercado possa ganhar novos postos de trabalho.
Achamos que ainda podemos captar mais investimento e de uma forma descentralizada porque temos muitas potencialidades que podem ser exploradas. Por exemplo, a área da geotermia pode ter um potencial turístico, nomeadamente com o aproveitamento do calor para a criação de piscinas quentes.(...)

Que outras áreas podem ser uma mais-valia no desenvolvimento do concelho?
O turismo terá um papel fundamental para os próximos anos, o que acontece não só no nosso concelho como por todos os Açores. Fomos o primeiro concelho a ter um Plano Estratégico de Turismo que nos apontou quais seriam os investimentos de futuro no setor, como considerarmos que o surf é uma questão fundamental - e por isso já reservamos a marca Ribeira Grande Capital do Surf (…).
Há outros setores da economia que não podemos deixar de fora, como a agricultura e as pescas que são setores fundamentais. Já para não falar da indústria que tem o maior peso na nossa economia. O setor secundário é por tradição forte e é nossa intenção que fique cada vez mais forte no sentido de criar cada vez mais emprego.
Temos tido uma relação de proximidade com a indústria e temos um projeto para criar roteiros turísticos industriais (...).

Quando é que o problema do saneamento fica resolvido, acabando de vez com a interdição de praias como aconteceu com o Monte Verde?
O saneamento básico na cidade ronda os 50 por cento, o que é manifestamente pouco em pleno século XXI. Ao longo deste mandato apostamos fortemente no saneamento básico, não só na cidade como um pouco por todo o concelho, tendo investido cerca de 5 milhões de euros.
Neste momento, a autarquia tem em sua posse o modelo que vai limpar de uma vez por todas a costa da nossa cidade. É nossa intenção submeter este projeto a fundos comunitários porque estamos a falar de uma obra a a rondar três milhões de euros . O projeto prevê limpar a costa da cidade colocando estações elevatórias para criar condutas de águas residuais e levá-las até à ETAR que já existe na zona de Rabo de Peixe. (…) Temos a estimativa de começar a construir esta conduta já no próximo orçamento camarário. (...)

O BE denunciou a situação precária dos trabalhadores da Caldeira Velha. Como reage a esta denúncia?
Neste momento quase todos os trabalhadores estão na situação de tarefeiros , ou seja, a recibo verde. Se a gestão se mantiver na Câmara - e temos indicação que sim - está previsto abrir o quadro de pessoal prevendo que quem está em regime de tarefa possa ser incorporado diretamente. (…)

Foi o único autarca de São Miguel que se insurgiu contra a construção de uma incineradora, mas acabou por votar favoravelmente no projeto. O que o levou a mudar de opinião?
A decisão foi unânime porque foi conseguida a colocação de um Tratamento Mecânico Biológico à cabeça da incineradora.
Nós nunca fomos contra a incineradora, achamos que os resíduos numa ilha como São Miguel têm de ser tratados ou resolvidos. (...)
Estou em crer que se não fosse esta polémica, poucos saberiam de que projeto estamos a falar e acho que pelo menos conseguimos esmiuçar o que vai ser feito. No entanto, na minha opinião pessoal foi uma vitória colocarmos o Tratamento Mecânico Biológico à cabeça da incineradora, porque para além da razão económica, vai criar postos de trabalho.

Está confiante na sua reeleição?
Estou confiante e de consciência tranquila pelo trabalho desenvolvido. Julgamos que, para além de obra física, conseguimos dar vida a uma cidade que estava morta.
No entanto, o trabalho nunca está concluído, não é em quatro anos que vamos mudar o mundo, por isso julgamos que precisamos de mais tempo para concluir obras estruturais.

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