Plataforma de Apoio aos Refugiados lançada hoje em Lisboa


 

Lusa/AO Online   Nacional   4 de Set de 2015, 08:49

Organizações da sociedade civil lançam esta sexta-feira, em Lisboa, uma Plataforma de Apoio aos Refugiados destinada a procurar respostas e acolhimento para famílias em situação de emergência, tendo como primeiro objetivo a integração das 1.500 pessoas que Portugal deverá receber.

 

“A plataforma nasce da vontade de organizações da sociedade civil em dar resposta a esta crise humanitária, em diálogo com Estado português”, pelo que será complementar, disse à agência Lusa Rui Marques, um dos mentores da iniciativa e presidente do Instituto Padre António Vieira, uma das instituições que participa no projeto.

Até quarta-feira, aderiram à PAR os seguintes parceiros: Cáritas Portuguesa, Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade, Comissão Nacional Justiça e Paz, Comité Português da UNICEF, Comunidade Islâmica de Lisboa, Corpo Nacional de Escutas, Conselho Português para os Refugiados, Cruz de Malta, EAPN Portugal / Rede Europeia Anti- Pobreza, Fundação Gonçalo da Silveira, GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, Serviço Jesuíta aos Refugiados, Obra Católica Portuguesa das Migrações e Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.

O objetivo, segundo Rui Marques, é o acolhimento e a integração daqueles cidadãos, envolvendo autarquias e Instituições particulares de solidariedade social, promovendo habitação, trabalho e acesso à saúde e educação, bem como à aprendizagem de português.

“O processo arranca agora e é complementar à resposta do Estado”, acrescentou a mesma fonte, definindo como prioritária a integração das 1.500 pessoas que o Estado português se dispôs a receber.

“Para já temos esse objetivo a atingir”, declarou, sustentando que o envolvimento destas entidades aumentará a capacidade de resposta do Estado português.

A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) funcionará em duas vertentes: nos países de acolhimento e também nas regiões de origem das populações em fuga e nos territórios que atravessam.

Um programa PAR Famílias terá como foco as famílias que viajam com crianças. As instituições vão trabalhar com o conceito lato de refugiado, deixando de fora os migrantes económicos, por entenderem que “a maior emergência” é ajudar as pessoas em fuga por motivo de guerra ou perseguição nos seus países.

Chegados a Portugal, caberá a uma autarquia ou IPSS organizar a rede de acolhimento para assegurar alimentação, alojamento e acesso à saúde, educação e trabalho.

“É um modelo baseado nem em centros de acolhimento, mas de integração na comunidade, com um fortíssimo envolvimento na comunidade”, sublinhou Rui Marques.

As instituições pretendem que seja feito um trabalho inicial nos países em que se encontram estas pessoas para lhes propor as condições que Portugal tem para oferecer, mediante um contrato de acolhimento: “Queremos que venham conscientes do que temos para oferecer”.

Será ainda criado um secretariado executivo que apoiará as instituições no terreno, ao mesmo tempo que lançada a PAR Linha da Frente, com vista à recolha de fundos para apoiar o trabalho das Organizações Não Governamentais que atuam em países como a Síria, a Jordânia e o Líbano, nomeadamente a Caritas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.

“Precisamos de nos preocupar com as pessoas que já estão na Europa e também com as que ainda estão nos seus países de origem ou em trânsito”, declarou.

As organizações consideram estar em curso uma “grave crise humanitária” a que urge dar resposta também por parte da sociedade civil.



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