PJ vai investigar alegado sequestro e agressões a padre


 

Lusa / AO Online   Nacional   26 de Dez de 2007, 13:59

As investigações sobre o alegado sequestro e agressão ao padre de Alijó, na noite da consoada, vão passar para a alçada da Polícia Judiciária (PJ), disse hoje à Lusa o tenente Lima, da GNR.
    Embora os agentes daquela força policial tenham passado a manhã de hoje em averiguações o inquérito, acrescentou o responsável, vai passar para a dependência da PJ pela possibilidade de se estar perante um crime de sequestro.

    O padre António Aires, 38 anos, terá alegadamente sido sequestrado e espancado, despido e amarrado quando se deslocava para Alijó para celebrar a Missa do Galo, à meia-noite de segunda-feira.

    O sacerdote terá sido desviado da estrada municipal para um local ermo, junto a uma barragem, por um grupo de indivíduos.

    O oficial referiu que, até ao momento, o pároco ainda não apresentou queixa formal na GNR, mas adiantou que tem um prazo legal de seis meses para o fazer.

    No entanto, segundo adiantou, a investigação de crimes como o de sequestro não depende da apresentação de queixa.

    O oficial da GNR admitiu que ainda há "poucos esclarecimentos" sobre este caso que abalou o concelho de Alijó.

    O padre poderá ter sido agredido por um grupo de três ou quatro indivíduos, que lhe terão danificado a viatura onde seguia e o terão deixado amarrado a uma árvore, de onde se terá conseguido soltar, seguindo depois a pé alguns quilómetros até às casas mais próximas, em Presandães, onde pediu ajuda.

    Depois de observado no hospital de Vila Real, devido a apresentar algumas escoriações e hematomas, o sacerdote teve alta ao final de manhã de terça-feira, seguindo para casa de familiares onde ainda estará a descansar.

    António Aires é um dos padres mais conhecidos da região, tendo a seu cargo várias paróquias do concelho de Alijó.

    È ainda conhecido pela sua ligação ao desporto, tendo já sido treinador das equipas de futsal do Macedo de Cavaleiros e da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e da equipa de futebol de Alijó.

    O alegado sequestro do sacerdote que foi, aos 24 anos, o mais novo padre a ser ordenado pela Igreja Católica, levou muitos dos habitantes das aldeias onde é pároco a mostrarem-se indignados com a agressão.

    Na aldeia de Casas da Serra os sinos foram tocados a rebate em sinal de "amizade e solidariedade".

    No entanto é muita a especulação sobre o que poderá ter originado a agressão ao padre. Uns dizem tratar-te de um ataque de desconhecidos, outros alegam razões passionais ou até mesmo divergências com alguns paroquianos.

    António Aires é um padre reformista, moderno e dinâmico, que gosta de ir, de vez em quando, a uma discoteca.

    Foi, no entanto, contestado por ter proibido, este ano, a realização de festas populares durante o período da Quaresma.

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