Pescadores querem Governo dos Açores a financiar paragem temporária da pesca

Pescadores querem Governo dos Açores a financiar paragem temporária da pesca

 

LUSA/AO online   Economia   26 de Mai de 2017, 18:56

O presidente da Cooperativa Porto de Abrigo defendeu hoje "formação remunerada" para pescadores e armadores durante os períodos de paragem de atividade, durante uma audição no parlamento dos Açores

João Castro falava aos jornalistas enquanto subscritor de uma petição que sugere ao Governo Regional dos Açores que "financie a paragem temporária da pesca", tendo sido ouvidos na comissão permanente de economia da Assembleia Legislativa, em Ponta Delgada, São Miguel.

"A forma de ressarcir os pescadores e os armadores é simples, criando mecanismos durante esses períodos de paragem, as embarcações que estiverem paradas terem que efetivamente frequentar cursos de formação", disse João Castro aos jornalistas.

O responsável máximo pela Porto de Abrigo defende "uma paragem faseada (da pesca) porque os mercados precisam de ser abastecidos" e defende "o resgate do sector" desde que seja devidamente compensado.

"A Porto de Abrigo, como organização, admite esse resgate, mas tem de ser compensador quer para os armadores, que têm as suas embarcações, quer para os pescadores que trabalham nessas embarcações, arranjar alternativas para que essa gente não fique no desemprego", afirmou.

Opinião diferente tem o presidente do Sindicato Livre dos pescadores, também subscritor da petição, defendendo que o resgate não é uma solução para resolver os problemas do setor.

"De certeza que não é o resgate nas pescas que vai resolver o problema dos profissionais da pesca, abater 100 ou 150 embarcações e despedir mil trabalhadores tem de ser muito ponderado, porque têm de ser dadas alternativas de vida e de profissão às pessoas de forma a terem uma vida digna", afirmou Luís Brum.

Segundo o sindicalista, a paragem deveria ser geral da pesca por "dois ou três meses" num período que terá de ser concertado entre todos os intervenientes do setor como "pescadores, administração, associações, etc".

"A paragem seria geral, mas é claro que o governo teria de compensar os pescadores, o que não tem feito. No caso do goraz não tem compensado minimamente os pescadores pelas paragens biológicas do goraz, essa paragem poderia ser de dois ou três meses, mas teria de ser compensada e remunerados os pescadores", sublinhou.

Luís Brum lembrou que a petição traduz uma preocupação cada vez maior de "escassez de recursos piscícolas" sendo que se "impõe uma paragem para crescimento das espécies para recuperação de stocks", já que a produção de pesca desceu em 2016 à escala "de uma grande número de toneladas".

"Cada vez os nossos mares estão mais delapidados, cada vez mais a sustentabilidade dos nossos mares está a ser posta em causa. Nós pensamos que essa situação é grave, sem peixe não há pesca e portanto sem dúvida nenhuma que temos de caminhar para um maior equilíbrio entre as zonas protegidas e as zonas de pesca", disse.

O presidente do Sindicato Livre dos pescadores defendeu maior "investimento no setor das pescas" nos Açores, nomeadamente mais nos pescadores e menos em infraestruturas.

"Já existem estruturas suficientes e nós pensamos que há que investir nos recursos humanos, nos pescadores e embora o governo não goste, nem os senhores deputados gostaram de ouvir, existem rendimentos abaixo dos 200 euros na pesca", garantiu.

A comissão permanente de economia vai ainda ouvir o secretário regional das Pescas e a Federação das Pescas, sendo que esta petição só deverá subir a plenário da Assembleia Legislativa Regional no próximo mês de Julho.

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