Pescadores da ilha Graciosa investem nas algas como alternativa à pesca

Pescadores da ilha Graciosa investem nas algas como alternativa à pesca

 

Lusa   Regional   22 de Fev de 2016, 10:17

Pescadores da Graciosa, nos Açores, estão a apostar na apanha de algas como alternativa à pesca convencional, exportando-as para Espanha, disse hoje o líder do setor na ilha, Lázaro Silva.

“A apanha da alga poderá ser um escape e tem sido já uma grande ajuda, principalmente no verão, que é quando a recolhemos. Pode ser um fator de sustentabilidade para muitos dos nossos pescadores”, afirmou o presidente da Associação de Pescadores Graciosenses (APG), Lázaro Silva.

Numa altura de “dificuldades” financeiras, impostas pelas paragens biológicas de várias espécies nas pescas dos Açores, a mais relevante das quais é o goraz, o armador referiu que “não tem sido fácil”, porque a comunidade piscatória não estava habituada a restrições deste tipo.

Na Graciosa, o goraz, que possui grande valor comercial, representa 85 por cento dos rendimentos dos cerca de 140 pescadores, que asseguram uma frota pesqueira composta por 41 embarcações numa ilha com cerca de 4.700 pessoas.

De acordo com as previsões do responsável dos pescadores da Graciosa, até 2020 deverão ter lugar várias interrupções no exercício da pesca e a alternativa da apanha de algas “pode ser uma mais-valia para todos”.

Lázaro Silva explicou que tem sido possível escoar as algas, cuja quantidade não precisou, por via da exportação através de uma empresa no norte de Espanha, o principal cliente.

No caso específico da empresa espanhola, o dirigente referiu que as algas são utilizadas para a indústria farmacêutica e cosmética, bem como na gastronomia, designadamente em pudins.

O presidente da APG defendeu que o exemplo da apanha das algas deveria ser seguido em todas as ilhas, principalmente numa altura em que “existem muitas famílias espalhadas pelos Açores que estão a atravessar necessidades”.

O dirigente das pescas recordou que em São Miguel e na Terceira já se promoveu a apanha de algas, ilhas onde chegou mesmo a haver unidades industriais.

Devido ao esforço de sobrepesca desenvolvido nos Açores, a Cooperativa Porto de Abrigo e Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores, na ilha de São Miguel, propuseram este mês suspender a captura de goraz dois meses por ano durante quatro anos.

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Fausto Brito e Abreu, contrapôs que o Governo dos Açores "não vê com bons olhos" as propostas feitas, porque tal teria "muitos impactos económicos", por exemplo, nas empresas de comércio de pescado fresco.

Ainda este mês, investigador da Universidade dos Açores Gui Menezes alertou que o esforço de pesca na região está a atingir “níveis preocupantes”, sobretudo em São Miguel e Santa Maria, defendendo a adoção de medidas.

“Eu acho que já estamos a atingir níveis preocupantes em algumas espécies como o goraz, congro e boca negra, que são, talvez, as mais críticas. Ainda não atingimos situações que não tenham retorno, mas estas têm de ser revertidas, de alguma forma”, afirmou Gui Menezes.

O investigador preconiza ações, “eventualmente de caráter mais urgente”, como a redução da faina, a criação de perímetros de defeso e a diminuição da atividade em determinadas áreas.

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