Peritos alertam que mundo deve agir contra desumanização dos conflitos

Peritos alertam que mundo deve agir contra desumanização dos conflitos

 

Lusa/AO online   Internacional   22 de Jan de 2016, 17:44

O mundo deve agir rapidamente para evitar um futuro em que robôs autónomos com inteligência artificial deambulam por cenários de guerra e matam seres humanos, alertaram cientistas e especialistas em armamento durante o Forúm de Davos (Suíça).

Segundo os peritos que participam no Fórum Económico Mundial de Davos, um encontro de elites que decorre até sábado naquela estância suíça, existe uma necessidade urgente de estabelecer regras que consigam prevenir o desenvolvimento deste tipo de armas de combate, apenas dignas de um argumento de um filme futurista.

A Alta Representante das Nações Unidas para as questões de desarmamento, a alemã Angela Kane, afirmou que o mundo tem sido lento a tomar medidas preventivas para proteger a humanidade da tecnologia letal.

“Pode ser tarde demais”, afirmou a representante, durante um debate em Davos.

“Existem muitos países e muitos representantes da comunidade internacional que não percebem o que realmente está em causa. Este desenvolvimento é algo que está limitado a um certo número de países avançados”, prosseguiu Angela Kane.

Para os cientistas presentes em Davos, o desenvolvimento de armas autónomas – que decidem quando devem atacar e quais são os alvos abater em função de instruções gerais anteriormente transmitidas - representaria uma perigosa nova era dos conflitos.

“Não estamos a falar de ‘drones’ [aparelhos não tripulados], em que um piloto humano controla o aparelho”, disse Stuart Russell, professor de ciências de computação da Universidade norte-americana de Berkeley (Califórnia).

“Estamos a falar de armas autónomas, o que significa que não está ninguém a comandá-las. Armas de inteligência artificial”, referiu o académico, salientando que estas armas de elevada precisão “poderão localizar e atacar alvos sem a intervenção humana”.

Cerca de mil cientistas e peritos em tecnologia, incluindo o reconhecido físico britânico Stephen Hawking, advertiram numa carta aberta divulgada em julho último que o desenvolvimento de armas com uma capacidade autónoma de decisão poderia ser viável dentro de anos, e não de décadas.


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