Peregrinos sentem insegurança no IC2, mas a fé fala mais alto

Peregrinos sentem insegurança no IC2, mas a fé fala mais alto

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Mai de 2016, 08:46

Milhares de peregrinos fazem-se à estrada por estes dias, de colete refletor vestido, e apesar de apontarem vários problemas de segurança no IC2, principalmente entre Coimbra e Pombal, a fé fala sempre mais alto.

 

A inexistência de bermas largas em alguns pontos do itinerário complementar 2 (IC2 - estrada nacional n.º 1), falta de sinalética a avisar os condutores de que há peregrinos a circular na estrada e a presença frequente de camiões torna o percurso para Fátima mais inseguro.

O troço entre Coimbra e Pombal é tido por todos como particularmente perigoso, aponta Emílio Cruz, que está a fazer pela 9.ª vez os 220 quilómetros que ligam Valongo, distrito do Porto, a Fátima, Santarém.

Ao longo do percurso, os acidentes estão também no pensamento dos peregrinos e na reflexão diária do seu grupo de 93 pessoas faz-se questão de avisar para se andar "em fila indiana".

"Temos de estar sempre com receio, que os imprevistos acontecem", disse à agência Lusa Emílio Cruz, sublinhando que não caminham de noite já para evitar "situações mais perigosas".

Lúcio Monteiro, de 42 anos, estreia-se este ano no percurso até Fátima e constatou que há vários pontos com perigo, obrigando a atravessar estradas nacionais ou a caminhar em sentido contrário.

Para o homem, natural de Baião, a inexistência de sinalética "cria muita insegurança", com camiões e carros a não se aperceberem da presença de peregrinos.

"Toda a nacional é perigosa. E esta zona [Coimbra a Pombal], com muito trânsito de veículos pesados, ainda mais perigosa se torna" sublinha Carlos Antunes, de Braga, que quando chegar a Fátima terá completado cerca de 330 quilómetros, sempre por estradas nacionais.

Sobre a possibilidade de optar por percursos alternativos, o peregrino sublinha que o seu grupo já pensou nessa solução, mas "albergar 300 pessoas não é fácil", complicando a operação logística.

Para Emílio Cruz, seria importante a criação de "caminhos alternativos", de modo a tornar a caminhada mais agradável e "até o espírito seria outro", que na nacional nunca se pode perder a atenção à estrada.

José Silva, de 32 anos, viu um despiste à sua frente, "mas felizmente não apanhou ninguém".

No entanto, o homem proveniente de Espinho desvaloriza: "Não há grande receio. Estamos seguros, estamos com a nossa fé. Portanto, não há problema".

Maria Isabel Silva, de 58 anos, faz questão de vincar que "os peregrinos têm de ter cuidado, mas os condutores também têm de ter".

Esse cuidado nem sempre surge. A agência Lusa constatou que no IC2 é normal ver peregrinos em grupo, lado a lado, às vezes saindo da berma, havendo também quem consuma álcool ao longo da viagem.

No entanto, para Maria Isabel Silva, a insegurança é secundária. "Nossa Senhora de Fátima não nos faz ter medo. Faz-nos ter coragem".

A agência Lusa questionou as Infraestruturas de Portugal sobre a possibilidade de colocação de separador central, sendo que a entidade informou que essa intervenção "não está prevista para os próximos tempos".

 


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