Peregrinos portugueses estão em minoria no caminho alternativo

Peregrinos portugueses estão em minoria no caminho alternativo

 

Lusa/AO Online   Nacional   11 de Out de 2016, 08:50

O caminho alternativo para Fátima, feito por campos e estradas secundárias e agrícolas, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos, a maioria deles peregrinos estrangeiros.

 

O percurso, com uma parte comum ao caminho de Santiago de Compostela, é feito fora de estradas principais e cerca de 60% dos peregrinos que o fazem "são estrangeiros", disse à agência Lusa Rodrigo Cerqueira, presidente da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima (AACF).

A maioria dos peregrinos estrangeiros que percorrem este caminho "procuram outros percursos" não tão massificados como o de Santiago, ao mesmo tempo que ligam Fátima a Santiago, seja no sentido norte-sul ou sul-norte, explana Rodrigo Cerqueira.

Para o responsável da AACF, o facto de haver mais estrangeiros deve-se ao facto de "o hábito de se fazerem caminhadas em Portugal ser algo relativamente novo".

"Os peregrinos acabam por ir a Fátima com a ideia de cumprir uma promessa" e não tanto pela experiência do caminho em si, aclara, sublinhando que os estrangeiros, pelo caminho, descobrem de uma outra forma o país, num percurso que é "uma mistura de campo e de cidade".

Foi com a intenção de conhecer melhor Portugal e os portugueses que o italiano Lorenzo Rovera se fez ao caminho, juntamente com quatro portuguesas.

Habituado a caminhar "regularmente" na sua terra, perto de Milão, o peregrino procura no caminho conhecer melhor um país do qual é fã.

"Vim para conhecer melhor Portugal e também Fátima, que é muito famosa em Itália", afirma à Lusa Lorenzo, que vai arriscando algumas palavras em português.

Pelo caminho, vão parando sempre que é necessário, até para contemplar a paisagem e tirar algumas fotografias, como aconteceu perto de Albergaria-a-Velha, em cima de uma ponte romana.

"É um caminho interior, quer pela estrada, quer para nós mesmos. É um caminho de reflexão em que importa chegar, mas essencialmente viver o caminho", realça Cristina Moreira, que faz o caminho há quatro anos e que acompanha Lorenzo.

Este ano, a caminhante traz consigo uma outra estreante neste percurso, Mira Pontes, de Gondomar, que admite estar rendida à alternativa à nacional n.º 1.

"Pela nacional não vemos nada. Sempre a caminhar, sempre a caminhar e nada para ver e conversamos muito pouco. Aqui, estamos em grupo, conversamos muito, rimo-nos e paramos", constata Mira Pontes.

José Roseiro, habituado ao percurso que já faz há vários anos, afirma que a presença de peregrinos portugueses é "residual".

Normalmente, encontra pelos campos e albergues caminhantes estrangeiros de "Santiago", numa rota que "nada tem que ver com o stress da estrada nacional".

Opinião semelhante tem Jaime Oliveira, quase cego devido a um glaucoma, que faz este ano a sua primeira caminhada pelo percurso alternativo em direção a Fátima.

No percurso que faz com o seu guia, não há camiões nas estradas, nem "correrias" para se chegar a Fátima.

"Só podemos chegar lá satisfeitos e fazer a viagem com prazer", refere, reclamando uma maior promoção da alternativa.

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