Peregrinos do mundo inteiro procuram "paz interior" em Medjugorje


 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   5 de Mai de 2017, 16:45

A missa do final da tarde é em croata e traduzida simultaneamente em várias línguas para centenas de peregrinos atentos aos auscultadores e entoando ladainhas que ecoam na Igreja de Santiago, em Medjugorje, no sul da Bósnia-Herzegovina.

 

A rezar junto ao altar exterior da igreja, em frente a um ecrã gigante que transmite a missa, está Michael Henry, de 60 anos, que foi passar uma estada de "um a dois meses" em Medjugorje em busca da "paz interior e espiritualidade" que sentiu na primeira vez que aí foi, há apenas um ano.

"Eu sei que isto é só uma aldeia, mas sinto-me bem, feliz e em paz quando aqui estou. Estivemos a rezar na Colina das Aparições com duas das pessoas que têm aparições. Não estava à espera de nada, simplesmente venho para rezar a Nossa Senhora", contou o reformado que vive na Malásia.

À esquerda e à direita da igreja, no exterior, os fiéis alinham-se à espera da sua vez para entrarem num dos cerca de 50 confessionários onde estão colocadas faixas com o idioma percebido pelos padres, incluindo a língua portuguesa.

À espera de se confessar ao padre Carlos Macedo, que acompanha grupos de peregrinos portugueses a Medjurgorje há vários anos, estava Maria José Quadros, de 64 anos, que fez uma longa viagem até chegar à localidade bósnia, desde a Ilha Graciosa, nos Açores, passando pelas ilhas Terceira e São Miguel, fazendo escala em Lisboa para chegar a Split, na Croácia, e apanhando um autocarro até Medjugorje.

"A gente sente aqui uma paz, é uma doçura. Eu nem sei explicar. É diferente. Aqui parece que é o céu na Terra. [A palavra] não é mágica mas é talvez uma maneira das pessoas do mundo entenderem porque a gente já não é do mundo, a gente já vive noutra dimensão", descreveu a açoriana que vai a Medjugorje há quatro anos.

Viagem ainda mais longa teve Beverly Pereira, residente na cidade de Artesia, nos Estados Unidos, que se juntou a um grupo de meia centena de pessoas do Sri Lanka para realizar a sua "última paragem" no itinerário de "lugares sagrados" que tem visitado, depois de ter estado duas vezes em Fátima e duas vezes em Lourdes, em França.

"Fui a vários lugares sagrados. Já lhes perdi a conta. Este era o que me faltava na minha lista. Sinto que Nossa Senhora está aqui. Ela deu-me um sinal porque quando fui à Colina das Aparições, o meu rosário mudou ligeiramente de cor. Nossa Senhora sempre foi boa comigo e venho para rezar. Até vou rezar pelos Estados Unidos porque estamos cheios de problemas e o presidente Trump deixa-nos em alerta", descreveu a educadora de infância de 65 anos.

Yvowni Alles, de 68 anos, também esteve em Fátima há oito anos e fez uma longa viagem para cumprir a segunda peregrinação a Medjugorje que lhe custou 1.300 euros e teve de "rezar muito para ter o visto" porque é do Sri Lanka.

"Não vim aqui para pedir favores, só para agradecer. Estive aqui no ano passado, na mesma altura e fui novamente arrastada para aqui. Sinto-me muito feliz e abençoada pela Virgem Maria. Nem que morra amanhã, morro feliz", contou esta dona de casa, à saída da missa.

O irlandês Brian Davis, de 36 anos, também já foi ao Santuário de Fátima e disse que "a diferença é que em Medjugorje as aparições continuam e é algo muito impressionante", argumentando que, ele próprio, sentiu "algo muito poderoso".

"Já cá tinha estado há seis anos e senti necessidade de voltar. Tirei férias de propósito. É um lugar muito calmo, que transmite paz. Fátima também tem essa paz mas aqui sente-se que as aparições continuam", afirmou o irlandês de Dublin, considerando que "o Vaticano ainda não reconheceu Medjugorje porque ainda há coisas a acontecer".

Maria Clara Henriques, da aldeia de Moledo, no concelho da Lourinhã, afirma ter assistido a várias "curas" nas sete vezes que foi a Medjugorje, depois de, em 2005, ter lido um livro do padre Jozo Zovko, pároco de Medjugorje no início das "aparições", e de ter ido assistir a uma missa que ele fez em Lisboa.

"Aqui havia um clima, uma coisa que me aconchegava, um amor que eu não conseguia explicar. Era um amor tão grande uns pelos outros que eu nunca tinha encontrado em sítio nenhum. Fiz a peregrinação toda e houve muitos testemunhos de curas e muitas coisas e fui-me embora com uma grande vontade de vir outra vez e de trazer todos que eu conhecia atrás de mim", descreveu a portuguesa de 57 anos.

A vila de Medjugorje ficou mundialmente conhecida em 1981, com "aparições" marianas regulares a seis crianças nascidas nos arredores da localidade.

Na ocasião, Nossa Senhora ter-se-á apresentado como "rainha da paz" e, desde então, terá aparecido sucessivas vezes aos seis videntes, um fenómeno que se repete, pelo menos, todos os meses.

A hierarquia católica tem reagido com ceticismo ao fenómeno e chegou mesmo a afastar um dos principais sacerdotes associados ao caso. Nos últimos anos, Roma tem enviado missões para avaliar a legalidade canónica daquelas "aparições" mas, até agora, os resultados não têm sido conclusivos.

Apesar disso, estima-se que um milhão de peregrinos procurem todos os anos aquela vila localizada na zona croata da Bósnia.

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