Perda de tradições e alterações climáticas potenciais riscos para a vinha do Pico


 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Jul de 2014, 11:06

Um dos principais riscos que enfrenta o património da vinha da ilha do Pico são as alterações climáticas, a par da perda de tradições, afirmou Elisabeth Silva, membro da comissão nacional da Unesco.

“Acima de tudo, algo que tem sido muito discutido em termos de riscos são as alterações climáticas, a par do facto de se perder algumas tradições”, declarou.

Elisabeth Silva falava aos jornalistas na Madalena, ilha do Pico, Açores, à margem do colóquio que assinala os dez anos da classificação da paisagem da vinha do Pico como património da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Para esta responsável, é “importante que se mantenha o cunho cultural de um povo, não se caindo na tendência da tecnologia e do conhecimento científico alterar, de alguma forma, o tradicional”.

“Há que haver, obviamente, um desenvolvimento nessa área, mas mantendo aquilo que é característico, a par do caráter de excelência do vinho que aqui é produzido, podendo este ser um montra de referência”, sublinhou.

Elisabeth Silva defendeu que tem de haver um retorno económico da paisagem cultural da vinha da ilha do Pico, não havendo receio de o afirmar, face ao esforço que é feito pelos produtores locais.

Assim, considerou ser crucial haver uma ligação entre a ciência e a cultura, numa perspetiva de conhecimento, que vise a produção do vinho, por forma a que o viticultor tenha conhecimento do solo que está a trabalhar, através do geólogo e das universidades.

Elisabeth Silva defendeu a necessidade de os locais terem, no caso do património da vinha do Pico, um “sentido de pertença e de orgulho” por fazerem parte deste território, salvaguardando ser imperioso “serem eles próprios a preservarem o bem”.

O diretor regional do Turismo, por seu turno, numa intervenção durante o colóquio, garantiu que há um aumento de mais valias económicas no Pico relacionadas com a vinha.

“Isto tem sido crescente ao longo dos anos, quer do ponto de vista interno, da economia de produção de vinho, mas também do ponto de vista turístico”, declarou João Bettencourt.

Segundo revelou, há um “número crescente de turistas” na ilha do Pico, que tem vindo a registar um aumento “bastante significativo” ao longo dos anos na sequência das políticas vocacionadas para o turismo rural, com o património mundial da vinha a emergir.

“O turista já conhece que a ilha do Pico tem a sua vinha considerada como património mundial, que é referenciada em meios de comunicação social internacionais”, declarou.

João Bettencourt considerou que ainda há muito potencial para crescer em termos turísticos, na vertente do enoturismo e agroturismo.

A vinha do Pico foi classificada como património da humanidade pela Unesco em 2004, na sequência de uma candidatura apresentada pelo Governo dos Açores.



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