Pequim poderá "assumir as suas responsabilidades" acerca de Hong Kong

Pequim poderá "assumir as suas responsabilidades" acerca de Hong Kong

 

Lusa/AO online   Internacional   2 de Dez de 2014, 11:38

Um jornal do Partido Comunista Chinês advertiu que Pequim poderá "assumir as suas responsabilidades" acerca de Hong Kong, mas rejeitou a "tentação" de recorrer às forças armadas para "debelar a agitação" no território.

 

"Se os violentos protestos de rua se tornarem factos normais e a polícia local não for autorizada a tomar uma dura atitude, Hong Kong provavelmente ficará reduzida à desordem", afirma o Global Times, num editorial sobre as manifestações pró-democracia que há mais de dois meses agitam aquela Região Administrativa da China.

Ocupada pela Grã-Bretanha em meados do século XIX, Hong Kong foi integrada na Republica Popular da China há 17 anos, segundo a fórmula "um país, dois sistemas", que garante à população liberdades de expressão e organização política impensáveis no resto do país.

"Hong Kong goza de uma autonomia especial sob a jurisdição do Governo central e o continente apoia a sua prosperidade e estabilidade", assinala o Global Times, uma publicação em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC.

"Mas se os problemas internos de Hong Kong não podem ser resolvidos, o Governo central deve assumir as suas próprias responsabilidades", acrescenta.

O jornal sustenta, contudo, que "o continente não deve ser tentado com demasiada facilidade a mobilizar tropas para debelar a agitação".

Há 25 anos, o PCC recorreu ao Exército para esmagar o movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, iniciado por estudantes da universidade de Pequim. Centenas de pessoas morreram e milhares de outras foram presas ou exilaram-se.

O conflito em Hong Kong diz respeito à próxima eleição do chefe do executivo do território, marcada para 2017.

Pequim aceitou que a eleição seja feita por sufrágio direto, e não por um colégio eleitoral, como até agora, mas impôs que os candidatos, "dois ou três", sejam previamente aprovados por um comité de seleção, o que a oposição considera "uma limitação à democracia".


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