Peça sobre o universo de Natália Correia levada à cena no Teatro O Bando


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   9 de Mar de 2017, 17:16

Uma peça de teatro sobre o universo da poetisa Natália Correia, "Boca Ilha - O Rosto que Ninguém Vê", uma ideia original da atriz Carolina Bettencourt, sobe ao palco no Teatro O Bando, em Palmela, no sábado e domingo.

 

"Houve um interesse muito grande na obra de Natália Correia e necessidade de, em termos teatrais, trabalhar a poesia e as temáticas à sua volta, não só no percurso artístico da sua vida, bem como de explorar a ideia de identidade, de ilha universal", declarou hoje à agência Lusa Carolina Bettencourt.

A atriz, natural de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, de onde também é natural Natália Correia (1923-1993), é responsável igualmente pela dramaturgia e interpretação, com Miguel Curiel.

Carolina Bettencourt nasceu em 1984. É mestre em Artes Performativas -- Interpretação pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Trabalhou pontualmente em companhias como O Dragoeiro, Propositário Azul, Os Do Costume e Joana Teatro, sendo atriz residente do Teatro Actus.

Segundo Carolina Bettencourt, a peça é de "alguém que saiu da ilha fisicamente e que, por isso, transporta-a constantemente", reconhecendo que houve uma "identificação muito forte" com o "habitar da ilha fora dela", tal como com Natália Correia.

A atriz adiantou que quem for assistir à peça vai ser confrontado com textos de Natália Correia, sobretudo, que serão relacionados com outros de Ary dos Santos, Almeida Firmino, Vitorino Nemésio, Antero de Quental, Fernando Pessoa e Alberto Caeiro.

"Além de um número muito rico do ponto de vista literário, há em palco um confronto de dois autores que tentam fazer ver a palavra enquanto produto teatral", declarou Carolina Bettencourt.

O espetáculo, com coprodução do festival Walk & Talk, tem apoio do Governo dos Açores e já foi apresentada em Angra do Heroísmo, na Terceira, e em Ponta Delgada.

A sinopse adianta que a peça parte "do universo de Natália Correia como quem descreve a sua silhueta para a seguir reclamar uma existência tangível".

"(...) São diálogos, são confrontos, são confirmações em torno de temas como a identidade, a relação com a morte, a memória de infância, o espaço geográfico e poético da ilha, o ativismo político, a vivência da religião e do casamento, o sentimento do outro e de si mesmo como outro", acrescenta.

Natália Correia nasceu no concelho de Ponta Delgada e fixou residência em Lisboa, onde morreu. Foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, e também deputada.

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